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Artigo N.º 3396 - COMO O DEUS DINHEIRO ENGANA OS HOMENS
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Postado em: 20/10/09 às 21:34:34 por: James
Categoria: Artigos
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Pecúnia, soldi, l´argent, money, o dinheiro: o motor da economia? O meio de troca por excelência que se impôs como standard universal? Medida não só para o mercado dos bens e dos serviços, mas também medida no mercado do trabalho? O dinheiro nos leva a exprimir o valor econômico através do adjetivo “caro” (querido), em paralelo ao afeto que induz a dizer a um outro “caro” (meu caro, meu querido). Caro, Cher, dear: uma mesma palavra para medir o dinheiro e o afeto...

 

Mas o dinheiro é um meio ou um fim? Depende por quem! Não é certamente um fim para a economia, que persegue a produção e a distribuição de bens e dos serviços. Não é um fim também para a empresa, a qual quer criar uma riqueza, uma utilidade. E para o individuo? O fim é a felicidade que depende de amar e de ser amado, do sentido encontrado para viver, de um certo bem estar material, portanto, também pelo dinheiro. Sim, para alguns o dinheiro é percebido como a chave para alcançar a felicidade.

Platão nos “Nómoi” e Aristóteles na “Politeía” pensam ser natural obter vantagem da terra e dos animais, mas que não seja o enriquecer-se através do dinheiro. Da mesma maneira os Profetas de Israel, seguidos pelos Padres da Igreja, condenam os que emprestam dinheiro a juro, criando dinheiro com o dinheiro. Esta patologia da ligação com o dinheiro foi definida “cupidez” e tida como fonte de muitos males, de enormes desastres econômicos, políticos e hoje também ecológicos.

Portanto, o dinheiro é um meio necessário; em si não é nem bom nem mau: é um instrumento que existe desde o século VI a.C. sob a forma de moeda, que está na ordem das mediações e como tal permite a troca (na mesma forma da linguagem, por exemplo), é “uma vitória sobre a distância” – afirma Georg Simmel na sua Filosofia do dinheiro – é um meio que permite derrubar as fronteiras sociais e geográficas. De outro lado, o dinheiro, pela sua qualidade representativa, pode ser um fim em si, um agente de acumulação de riquezas, capaz de possuir uma grandeza autônoma e uma força sedutora.

Lao Tze, o sábio chinês fundador do Taoísmo (IV século a.C.), conta uma história paradigmática, a historia de Tsi. Ele era um homem seduzido pelo dinheiro, ávido de riquezas. Uma manhã, indo à feira, viu uma banca de câmbio, roubou o dinheiro e fugiu, mas logo foi preso por um policial que lhe perguntou: “Como pode pensar em roubar o dinheiro e fugir inobservado?”. Tsi respondeu: “Enquanto roubava o dinheiro não via as pessoas, via somente o dinheiro!”. Eis, o dinheiro exerce um tal fascínio que oculta a presença de outras pessoas e de outras coisas, um fascínio que desperta até a força para roubar.  ... Sim, o dinheiro nos seduz, entra em nós como uma presença eficaz e contribui de modo secreto, mas real a tecer as nossas ligações, as nossas relações com as coisas e com os homens. Eu possuo o dinheiro, mas o dinheiro também me possui. O dinheiro tem um lugar penetrante nos meus desejos, decide muitos dos meus desejos.

Por isso no Antigo Testamento o dinheiro é definido através da palavra keseph, cuja raiz verbal (kasaph) indica o “desejar ardentemente”, a verdadeira “cobiça” para alguma coisa. Torna-se então reveladora a leitura do Evangelho, onde o dinheiro é personificado. Jesus declara que o dinheiro é uma potência, alias é um deus: “Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não se pode servir a Deus e à mamona” ( o dinheiro - MT. 6,24; Lc.16,13). E nota-se bem: o termo mamona está em oposição a Deus. O amor para com mamona exclui o amor para com Deus. Este é o radicalismo evangélico de Jesus. O dinheiro para Ele não é somente algo que o homem pode possuir ou não: pode-se tornar facilmente um deus, um ídolo ao qual sacrificamos facilmente a vida dos outros e alienamos a nós mesmos. Exprime-o bem São Tiago, quando descreve o dinheiro como a traça que devora aquele que a possui, enganando-o e levando-o à destruição e, ao mesmo tempo, é fonte de injustiça: “Pois bem, agora vós, ricos, chorai e gemei por causa das desgraças que estão para vos sobrevir. A vossa riqueza apodreceu e as vossas vestes estão carcomidas pelas traças. O vosso ouro e a vossa prata estão enferrujados e a sua ferrugem testemunhará contra vós e devorará as vossas carnes. Entesourastes como que um fogo nos tempos do fim! Lembrai-vos de que o salário, do qual privastes os trabalhadores que ceifaram os vossos campos, clama, e os gritos dos ceifadores chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos”. (Tiago 5,1-4).

No cristianismo, depois, o relacionamento com o dinheiro deve ser lido no espaço da possível idolatria (cfr. Col. 3,5: “a cupidez é idolatria”), e “o ídolo, antes de ser um falso teológico é um falso antropológico” (Adolphe Geschè), uma alienação do homem. Não esqueçamos a tal propósito que o termo “mamona” deriva da raiz hebraica aman (daqui o nosso amém), que contém a idéia de aderir com confiança, portanto com fé. O dinheiro, de fato, pede para si fé, confiança e se torna segurança, falsa segurança contra a morte, saturação das necessidades que moram no coração do homem, presença poderosa que induz a ver somente a ele, o dinheiro, e a não enxergar os outros, a agir sem os outros, e, se necessário, também contra os outros. Por isso as palavras de Jesus são como granito: “Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os corroem e onde os ladrões arrombam e roubam... Pois onde está o teu tesouro aí estará também o teu coração” (MT.6,19.21).

Eis então a pergunta essencial: onde está o meu coração? Qual é para mim a verdadeira riqueza? O dinheiro é para mim elemento de relação e compartilhamento, e, portanto de comunhão com os outros, ou ao contrário é instrumento de egolatria? E atenção: Jesus não era um profeta pauperizado que não mexia com dinheiro. Na sua comunidade existia uma “caixa em comum” (João 12,6; 13,29), isto é dinheiro colocado em comum, não submetido ao regime do “meu” e do “teu”, mas destinado à Communitas (comunidade), destinado também para quem vivia na necessidade, de modo que a koinonia (comunhão) fosse a forma de viverem juntos. Compreendamos, então, como era normativa pela comunidade cristã a descrição feita por Lucas da primitiva Igreja de Jerusalém, nascida de Pentecostes: “Todos os que tinham abraçado a fé reuniam-se e punham tudo em comum” (Atos 2,44); “Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum... Não havia entre eles necessitado algum” (Atos 4,32.34).

Na história do cristianismo esta “utopia” foi ininterruptamente meditada e interpretada, e ainda hoje as exigências postas pelo evangelho não perderam nada da sua atualidade e do seu valor inspirativo e normativo pela praxe cristã. No máximo, precisaria a honestidade de se perguntar por que nos tornamos tão renitentes em escutar estas palavras, que soam insólitas aos ouvidos da maioria dos cristãos; por que insistimos tanto sobre outros aspectos do agir moral, enquanto preferimos ser mornos ou até silenciar sobre a necessidade do compartilhamento material dos bens, estrada mestra para eliminar, ou pelo menos mitigar necessidades e pobreza?
A rainha pecúnia, o deus dinheiro, pede entrega, confiança, subtraindo-o de tal modo ao relacionamento com os outros. E neste tempo no qual não somente Deus está morto, mas está morto também o próximo, o dinheiro domina e seduz mais que nunca. Na realidade o único inimigo capaz de duelar contra a morte, o único capaz de vencê-la não é o dinheiro, mas o amor, o amor ao outro e dos outros, é a comunicação, o compartilhamento, a comunhão por quanto é possível.

 


Pe. Eugenio Maria, FMDJ
www.mosteiroreginapacis.org.br
http://rainhadapaz.blog.terra.com.br/



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