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Artigo N.º 3397 - Kamikaze e martírio cristão
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Visto: 2007
Postado em: 20/10/09 às 21:34:34 por: James
Categoria: Artigos
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Entre os mártires cristãos e os kamikazes muçulmanos ou de qualquer outra ideologia não existe nem analogia nem identidade possível.


Lia em uma revista de grande difusão que: “O zelo dos mártires cristãos permite em traçar um significativo confronto com o que acontece hoje no mundo islâmico, no qual aflora uma ostentada busca do martírio, e a vida além da morte é julgada a verdadeira vida”. Na revista se vê a fotografia de uma mulher muçulmana com o seu bebê nos braços que se faz explodir, matando outras pessoas.

O dado de partida está errado na base: une-se o conceito de kamikaze suicida (muçulmano ou não) àquele de mártir cristão, sob a mesma idéia de martírio. Este é um erro grave porque são realidades completamente diferentes entre eles e vejamos o porquê.

A palavra Kamikaze é um termo que o Japão entregou ao Ocidente. Os pilotos kamikaze japoneses no comando dos famosos aeroplanos “Zero” se tornaram famosos durante a segunda guerra mundial por efetuar ataques suicidas contra os navios de guerra americanos no oceano Pacifico. Aqueles jovens pilotos estavam conscientes de que estavam cumprindo uma insólita missão de guerra quando decolavam, indo para morte certa, porque o deles era um vôo sem retorno. Quando avistavam os navios inimigos atacavam com decisão, lançando sobre eles todas as munições e uma vez acabadas, dirigiam o próprio “Zero” contra os navios. Sabiam que quanto mais dano infligissem aos inimigos, mais gloriosa resultaria a sua empreitada.
O gesto dos pilotos japoneses impressionou tanto a sensibilidade ocidental, que daí em diante a palavra Kamikaze veio a fazer parte da nossa cultura e língua. Hoje se chama de kamikaze quem leva até o fim uma ação suicida matando contemporaneamente outros inocentes.

Uma boa parte da opinião publica julga as coisas de maneira bastante superficial, baseando-se no que se diz e sobre o que escrevem os “onipresentes” meios de comunicação. Isto tem conseqüências importantes, porque renunciando a usar a própria inteligência, para ler com a própria cabeça as coisas e os acontecimentos, se gera confusão nas próprias idéias que se expandem como uma epidemia cultural. O exemplo é o modo equivocado e inapropriado com que muitos jornalistas, sociólogos, políticos e pessoas comuns chamam de “mártires” os militantes islâmicos: os kamikazes carregados de explosivos que semeiam morte e ódio na Palestina, em Israel, na África e em outras regiões do Oriente.

A simplicidade genérica com a qual se denominam de “mártires” aqueles terroristas, faz sim com que muitos pensem que o suicida, o kamikaze, seja equiparável ao mártir cristão. Todavia nada está tão longe da realidade. Entre os mártires cristãos e os kamikazes (muçulmanos e ou de qualquer outra ideologia) não existe nem ideologia, nem identidade possível; usar o mesmo termo indistintamente é um deplorável equívoco do linguajar que gera confusão e um empobrecimento das idéias.

No linguajar existem termos análogos, unívocos e equívocos. Portanto é um equívoco enorme chamar de mártir quem se suicida fazendo-se explodir e matando outras pessoas consigo. Chama-se ao invés, de mártir cristão quem oferece a sua vida em um gesto de amor e perdoando os seus algozes. Não existe analogia possível entre um e outro, por que se trata de realidades opostas. Um suicida não é um mártir. Cada coisa deve ser chamada com o seu nome: “pão, pão e vinho, vinho” (pane al pane e vino al vino) como se diz ainda hoje na língua italiana. Não chamemos então mártires aqueles que na realidade são terroristas suicidas.

O mártir cristão é um imitador de Jesus Cristo, que ensinou com a sua Palavra e com o seu exemplo o modo mais elevado do amor: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”. A motivação do mártir cristão é o amor, por que toma como modelo Jesus que oferece a sua vida para a salvação da humanidade.
O suicida ou kamikaze – seja muçulmano ou não – decide morrer porque pensa que a sua imolação representa um bem para a sua causa e um sinal heróico digno de ser imitado por outros seguidores. É verdade que pode ser inspirado por motivos culturais e políticos , como o ideal de uma pátria livre, mas no fundo age levado por um ódio profundo pelos seus inimigos. O kamikaze muçulmano está convencido de que o seu sacrifício será recompensado por um paraíso de prazeres e um harém cheio de mulheres. Este é um erro insuperável que está fixado na mentalidade do combatente muçulmano, porque age sob os juízos da Jihad ou guerra santa.

O mártir cristão se coloca num plano completamente diferente. Não se mata nem mata ninguém; aceita livremente perder a sua vida para se manter fiel a Jesus Cristo e à verdade. O seu gesto o transforma em “testemunho”, por que este é o verdadeiro significado de mártir, testemunho de um amor maior. Não do ódio ou da vingança que destroem, por que Cristo nos ordenou amar também os inimigos.

O kamikaze inspira o seu gesto fatal à lei de talião e se crê justificado ao usar a violência selvagem contra pessoas inocentes, para que o inimigo seja exasperado ou terrorizado pelo seu gesto. A causa dele é inspirada no ódio. O mártir cristão inspira a sua ação no amor e tem a certeza que o seu sangue generosamente doado serve para fortalecer a fé dos seus irmãos. Tertuliano o deixou inscrito numa frase célebre: “O sangue dos cristãos é semente de vida cristã”. Ao mártir lhe tiram a vida, enquanto o kamikaze morre assassinando outras pessoas. O mártir morre perdoando os seus perseguidores; o kamikaze morre odiando aqueles a quem acusa de opressores e inimigos. O kamikaze deixa uma mensagem de vingança, de ódio e desespero; uma espiral de violência que gera mais violência. O mártir cristão deixa uma mensagem de amor, de reconciliação e de perdão. Somente o perdão pode levar à paz.

Somente o amor e o perdão – nunca o ódio e a vingança – podem melhorar o mundo. Os mártires cristãos são a expressão deste amor maior, a imitação de Jesus Cristo, o rei dos mártires.

A Igreja Católica desde sempre reprovou os excessos de fanatismo. Uma das seculares virtudes da Igreja foi a capacidade de adaptar-se a todos os homens e culturas, porque baseia os seus ensinamentos sobre o exato conhecimento da natureza humana, que é sempre a mesma, não obstante mudem os tempos e as circunstâncias. A moral cristã ensina a educar a parte inferior e a regulá-la com a parte superior, sob o guia e direção da fé e da razão harmonizadas. Esta qualidade permitiu à Igreja Católica caminhar com passo seguro no meio das correntezas antropológicas mais diferentes, porque soube encontrar a justa via para orientar a conduta humana no equilíbrio racional e não nos excessos das paixões desmedidas.

Esta moderação brilha como luz especial nos princípios e na conduta que a Igreja seguiu como Mãe e Mestra de civilização, em tudo aquilo que se refere ao martírio, de maneira que somente nos mártires cristãos pode-se observar, de verdade, aquela pessoa humana consciente, equilibrada, não exaltada e cheia de fortaleza evangélica na frente da prova suprema do martírio. Para finalizar, é útil esclarecer que o martírio é um dom e uma vocação que não é dada a todos os cristãos!


Pe. Eugenio Maria, FMDJ
www.mosteiroreginapacis.org.br
http://rainhadapaz.blog.terra.com.br/



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