Os sofrimentos da Irmã Lúcia por amor a Jesus e Maria
 
 
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Postado em: 14/09/18 às 13:19:44 por: James
Categoria: Destaque
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No mês de julho de 1917, a pequena Lúcia foi extremamente provada. Nem a mãe dela acreditava nas aparições em Fátima

Em 1917, no tempo das aparições de Nossa Senhora do Rosário em Fátima, Portugal, os três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta, passaram por diversos sofrimentos e provações, que suportaram heroicamente por amor a nosso Senhor Jesus Cristo e a Santíssima Virgem Maria.

No mês de Julho, a pequena Lúcia foi extremamente provada. Até mesmo sua mãe não acreditava nas aparições e, por influência de um sacerdote, dizia a sua filha que estas poderiam ser obra do Demônio. Depois desta breve introdução, vejamos a descrição dos acontecimentos nas palavras da própria Irmã Lúcia:

“Quanto esta reflexão me fez sofrer, só Nosso Senhor pode saber, porque só Ele pode penetrar nosso íntimo. Comecei, então, a duvidar se as manifestações seriam do Demônio que procurava, por esse meio, perder-me. E, como tinha ouvido dizer que o Demônio trazia sempre a guerra e a desordem, comecei a pensar que, na verdade, desde que via estas coisas, não tinha tido mais alegria nem bem-estar em nossa casa. Que angústia que eu sentia! Manifestei a meus primos a minha dúvida. A Jacinta respondeu:

– Não é o Demônio, não! O Demônio dizem que é muito feio e que está debaixo da terra, no inferno; e aquela Senhora é tão bonita! E nós vimo-La subir ao Céu.

Nosso Senhor serviu-se disto para desvanecer algo a minha dúvida. Mas, no decurso deste mês, perdi o entusiasmo pela prática do sacrifício e da mortificação e titubeava se acabaria por dizer que tinha mentido e assim acabar com tudo. A Jacinta e o Francisco diziam-me:

– Não faças isso! Não vês que agora é que tu vais mentir e que mentir é pecado?

Em este estado tive um sonho que veio aumentar as trevas do meu espírito: Vi o Demônio que, rindo-se de me ter enganado, fazia esforços por me arrastar para o inferno. Ao ver-me nas suas garras, comecei a gritar em tal forma, chamando por Nossa Senhora, que acordei minha mãe, a qual me chamou, aflita, perguntando-me o que eu tinha. Não me lembro do que lhe respondi. O que me lembro é que em aquela noite não pude mais dormir, pois fiquei tolhida de medo. Este sonho deixou no meu espírito uma nuvem de verdadeiro medo e aflição. O meu único alívio era ver-me só, em algum canto solitário, para aí chorar à minha vontade. Comecei por sentir aborrecimento até à companhia de meus primos e por isso comecei a esconder-me também deles. Pobres crianças! Às vezes andavam à minha procura, chamando pelo meu nome, e eu junto deles sem lhes responder, oculta, às vezes, em algum canto para onde eles não atinavam a olhar.

 

Aproximava-se o dia 13 de Julho e eu duvidava se lá iria. Pensava: se é o Demônio, para que hei de ir vê-lo? Se me perguntam por que não vou, digo que tenho medo que seja o Demônio quem nos aparece e que por isso não vou. A Jacinta e o Francisco que façam como quiserem; eu não volto mais à Cova de Iria. A resolução estava tomada e eu bem resolvida a pô-la em prática.

No dia 12, pela tarde, começou a juntar-se o povo que vinha para assistir aos acontecimentos do dia seguinte. Chamei então a Jacinta e o Francisco e informei-os da minha resolução. Eles responderam-me:

– Nós vamos. Aquela Senhora mandou-nos lá ir.

A Jacinta prontificou-se a falar ela com a Senhora, mas custava-lhe que eu não fosse e começou a chorar. Perguntei-lhe por que chorava.

– Por tu não quereres ir.

– Não; eu não vou. Olha: se a Senhora te perguntar por mim, diz-lhe que não vou, porque tenho medo que seja o Demônio.

E deixei-os ficar, para me ir esconder e não ter assim, que falar às pessoas que me procuravam para me interrogar. Minha mãe, que me julgava a brincar com as crianças do lugar, durante todo este tempo que passava escondida atrás dum silvado que havia na propriedade dum vizinho que pegava com o nosso Arneiro, um pouco a leste do poço já várias vezes mencionado, quando eu à noite chegava a casa, (minha mãe) repreendia-me, dizendo:

– Isto é que é um santinha de pau carunchento! Todo o tempo que lhe sobra de andar com as ovelhas passa-o na brincadeira; e de tal forma que ninguém a encontra!

 

No dia seguinte, ao aproximar-se a hora em que devia partir, senti-me de repente impelida a ir, por uma força estranha, a que não me era fácil resistir. Pus-me, então, a caminho e passei por casa de meus tios a ver se ainda lá estava a Jacinta. Encontrei-a no quarto, com seu irmãozinho Francisco, de joelhos ao pé da cama, chorando.

– Então vocês não vão? – lhes perguntei.

– Sem ti não nos atrevemos a ir. Anda, vem.

– Já cá vou – lhes respondi.

Então, com um semblante já alegre, partiram comigo. O povo esperava-nos em massa pelos caminhos e a custo conseguimos lá chegar. Foi este o dia em que a SS. Virgem se dignou revelar-nos o segredo. Depois, para reanimar o meu fervor decaído, disse-me:

– Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei a Jesus, muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

 

Descrença da mãe de Lúcia

Graças a nosso bom Deus, nesta aparição desvaneceram-se as nuvens da minha alma e recuperei a paz. Minha pobre mãe afligia-se cada vez mais, ao ver a quantidade de gente que ali vinha de todas as partes:

– Esta pobre gente – dizia ela – vem, com certeza, enganada pelas vossas intrujices; e realmente não sei o que fazer para os desenganar.

A um pobre homem, que se jactava de fazer troça de nós, de nos insultar e chegar às vezes a pôr-nos as mãos, um dia que lhe perguntou:

– Então, ti Maria Rosa, que me diz das visões da sua filha?

– Não sei – respondeu. – Parece-me que não passa duma intrujona que traz meio mundo enganado.

– Não diga isso muito alto; senão, alguém é capaz de lha matar. Parece que há por aí quem lhe tem boa vontade.

– Ah! Não me importa! contanto que a obriguem a confessar a verdade. Eu é que hei de dizer sempre a verdade, seja contra meus filhos, seja contra quem for, nem que seja contra mim.

E verdadeiramente assim era. Minha mãe dizia sempre a verdade, ainda que fosse contra si mesma. Este bom exemplo lhe devemos, os seus filhos.

Um dia, pois, resolveu de novo obrigar-me a desmentir-me, como ela dizia. E, por isso, resolveu levar-me, no dia seguinte, outra vez, a casa do Senhor Prior, para eu lhe confessar que tinha mentido, pedir-lhe perdão, e fazer as penitências que Sua Rev.cia julgasse e quisesse impor-me. O ataque, realmente, desta vez, era forte e eu não sabia como fazer. De caminho, passo por casa de meus tios, digo, à Jacinta, que ainda estava na cama, o que se passava e lá vou atrás de minha mãe. No escrito sobre a Jacinta, já disse a V. Ex.cia Rev.ma a parte que ela e seu irmão tomaram nesta prova que o Senhor nos enviou e como me esperaram em oração junto do poço, etc.

 

Pelo caminho, minha mãe foi-me pregando o seu sermão. A páginas tantas, eu disse-lhe, tremendo:

– Mas, minha mãe! como hei de dizer que não vi, se eu vi?

Minha mãe calou-(se) e, ao chegar junto da casa do Pároco, disse-me:

– Tu vê lá bem; o que eu quero é que digas a verdade. Se viste, diz que viste; mas, se não viste, confessa que mentiste.

Sem mais, subimos a escadaria e o bom Pároco recebe-nos no seu gabinete, com toda a amabilidade e, direi até, com carinho. Interrogou-me com toda a seriedade e delicadeza, servindo-se de alguns artifícios, para ver se eu me desmentia ou se trocava uma coisa por outra. Por fim, despediu-nos, encolhendo os ombros, como que dizendo: Não sei o que dizer nem fazer a tudo isto!

 

Ameaças do Administrador

Passados não muitos dias, meus tios e meus pais recebem ordem das autoridades, para comparecer na Administração, no dia seguinte, a tal hora marcada, com a Jacinta e o Francisco, meu tio e, comigo, meu pai. A Administração é em Vila Nova de Ourém; e por isso havia que andar umas três léguas, distância bem considerável para três crianças do nosso tamanho. E os únicos meios de viajar, em aquele tempo, por ali, eram os pés de cada um, ou os de alguma burrita. Meu tio respondeu logo que comparecia ele, mas que seus filhos não os levava:

– Eles, a pé, não aguentam o caminho – dizia ele – e a cavalo eles não se seguram em cima da burra, porque não estão habituados. Ademais, não tenho para que apresentar em um tribunal duas crianças deste tamanho.

Meus pais pensavam ao contrário:

– A minha vai; que responda ela. Eu cá destas coisas não entendo nada. E, se mente, é bem que seja castigada.

No dia seguinte, de manhãzinha, lá me puseram em cima duma burrita, da qual caí três vezes durante o caminho, e lá fui acompanhada de meu pai e meu tio[1]. Parece-me que já contei a V. Ex.cia Rev.ma quanto a Jacinta e o Francisco sofreram neste dia, julgando que me iam matar. A mim, o que me fazia sofrer era (a) indiferença que por mim mostravam meus Pais, a qual eu via mais clara quando via o carinho com que meus tios tratavam os seus filhinhos. Lembro-me de nesta viagem ter feito esta reflexão: Que diferentes são meus pais de meus tios! Estes, para defender seus filhos, entregam-se eles. Meus pais entregam-me com a maior indiferença, para que façam de mim o que quiserem! Mas paciência! dizia no íntimo do meu coração; assim tenho a dita de sofrer mais por Teu amor, ó meu Deus, e pela conversão dos pecadores. Em esta reflexão encontrava consolação em todos os momentos.

 

Na Administração, fui interrogada pelo Administrador, na presença de meu pai, meu tio e vários outros senhores que não sei quem eram. O Administrador queria forçosamente que lhe revelasse o segredo e que lhe prometesse não voltar mais à Cova (de) Iria. Para conseguir isto, não se poupou a promessas e, por fim, ameaças. Vendo que nada conseguia, despediu-me, protestando que o havia de conseguir, ainda que para isso tivesse de tirar-me a vida. A meu tio passou uma boa repreensão, por não haver cumprido as suas ordens, e lá nos deixaram vir para nossa casa.

Prejuízos na família

No seio da minha família havia ainda outro desgosto, de que eu era a culpada, como diziam. A Cova de Iria era uma propriedade pertencente a meus pais. No fundo, tinha um pouco de terreno bastante fértil, no qual se cultivava bastante milho, legumes, hortaliças, etc. Nas encostas, havia algumas oliveiras, azinheiras e carvalhos. Ora, desde que o povo aí começou a ir, não mais aí pudemos cultivar coisa alguma. As gentes tudo pisavam; grande parte ia a cavalo e os animais acabavam de comer e estragar tudo.

Minha mãe, lamentando esta perda, dizia-me:

– Tu, agora, quando quiseres comer, vais pedi-lo a essa Senhora!

Minhas irmãs acrescentavam:

– Tu, agora, só havias de comer o que se cultiva na Cova de Iria!

 

Mais fotos em Artigo N.º 3110 - Filme Antigo "O Milagre de Fátima" - Baixe o filme dublado em Português

 

Estas coisas custavam-me tanto que eu não me atrevia a pegar em um bocado de pão para comer. Minha mãe, para obrigar-me a dizer a verdade, como ela dizia, chegou, não poucas vezes, a fazer-me sentir o peso de algum pau, destinado ao lume, que encontrasse no canto da lenha, ou do cabo da vassoura. Mas, como ao mesmo tempo era mãe, procurava depois levantar-me as forças decaídas e afligia-se ao ver-me definhar, com uma cara amarela, temendo que fosse adoecer. Pobre mãe! Agora, sim, que compreendo verdadeiramente a situação em que se encontrava e que tenho pena dela! Na verdade, ela tinha razão para me julgar indigna dum tal favor e por isso de me julgar mentirosa.

Por uma graça especial de Nosso Senhor, nunca tive o menor pensamento nem movimento contra o seu modo de proceder a meu respeito. Como o Anjo me tinha anunciado que Deus me mandaria sofrimentos, vi sempre em tudo isto Deus que assim queria. O amor, a estima e o respeito que lhe devia continuou sempre aumentando, como se fosse muito acariciada. E agora estou lhe mais reconhecida por me ter tratado assim, do que se me tivesse continuado a criar entre mimos e carícias”.

[1]  O mencionado “dia seguinte” foi 11 de Agosto de 1917.

Fonte: “Memórias da Irmã Lúcia”, p. 85-90, publicado em Todo de Maria.

 



Fonte: www.aleteia.org





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