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Artigo N.º 1692 - Pai descalço
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Postado em: 05/06/09 às 22:00:24 por: James
Categoria: Artigos Site Aarão
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Cláudio descreve: (Escrito em 14/11/2005)



"Seu” Antonio – meu pai – e Dona Amélia – minha mãe – sempre exerceram papel importante em nossas vidas.
E agora, em nossa situação de extrema penúria, mandavam-nos ajuda constantemente: dinheiro, roupas, alimentos... Embora eles fossem pobres, o pouco que tinham, repartiam com os filhos, ou até com estranhos, caso necessitassem.

A visita de vovó e vovô era sempre motivo de muita alegria para nossas sete crianças que gostavam de ganhar roupinhas e escutar as histórias que a vovó contava e faziam círculos em torno do vovô, rindo juntos, das piadinhas que ele contava. Vovô e Vovó faziam a festa das crianças lá em casa.
A última visita dos velhinhos jamais será esquecida: Mamãe sofria de graves problemas nas pernas, por cirurgias mal sucedidas... E papai era portador de câncer na garganta!
Ver os dois subirem com dificuldades a escadaria do morro que dá acesso a nossa casa, causou-nos profunda emoção: um ajudava o outro a dar o passo!
Aliás, sempre foi assim: durante toda a vida, os dois caminharam juntos, dando-se as mãos nas horas alegres e também nos momentos tristes, e agora, já velhinhos, continuavam demonstrando força de vontade e firmeza, sensibilizando a todos.
Ainda costumávamos dizer “nossa casa” embora a houvéssemos perdido por causa de falcatruas de sócios com o que também perdemos tudo o que tínhamos...
Agora estávamos também sem emprego e fazíamos um esforço tremendo para podermos pagar o aluguel. Em conseqüência, a fome rondava nossa família composta de nove pessoas. Mas, com a chegada dos avós a alegria novamente se fazia presente, notadamente, nas crianças.
Na despedida, meus pais perceberam que eu não tinha calçado algum... E eles não haviam trazido...
Resoluto, papai descalçou os próprios sapatos e mos entregou! Não pude sequer falar: minha alma gritava! Meu peito arrebentava!
Ao vê-los descer as escadas, solidários, amparando-se um ao outro, meu pai descalço e seus sapatos ainda em minhas mãos, não pude conter as lágrimas que agora me escorriam pelo rosto...
E eu não chorava sozinho: todos, em pranto, olhavam o velhinho com alma de criança que desaparecia lentamente... A cada passo seu, outra lágrima dolorida escorria de nossos olhos, lavando os nossos rostos e purificando as nossas almas!
Meu bom velhinho: saíste descalço de nossa casa... Teus sapatos ficaram nos meus pés! Este par de sapatos é o símbolo do que tu sempre foste: nada era teu. Tudo era de todos... Agora, com saudades, lembro daquelas passadas descalças... Foste descalço para o céu... Mas bem no nosso íntimo sentimos o teu andar suave, sem sapatos, andar puro com teus pés tão delicados...
E isto, Pai, nos dá uma força tremenda!!!
Obrigado, meu velhinho! Um abraço!
 

Cláudio Heckert
 
Arnaldo observa:
 
Em grande parte o que me atraiu para o Movimento desde o primeiro dia, foi com certeza esta humildade incrível do Cláudio. Muitos poderiam até ter vergonha de contar uma coisa tão singela, mas justamente esta singeleza é que comove e move o Coração de Deus.
 
Quando, há exatamente 10 anos atrás, pisei na casa dele pela primeira vez, e vi aqueles pedaços de carpete velho, já usado em outra residência, e agora cobrindo chão daquela humilde residência, foi impossível não me impressionar com aquela pobreza limpa.
 
Soube dele, que por duas vezes em sua vida, enganados por sócios em negócios, eles perderam tudo o que tinham de bens materiais. Até o zero! Só não perderam a honra e a fé em Deus! Porque sempre pagaram todas as dívidas, inclusive a dos sócios! E nunca abandonaram a Igreja Católica, a quem mantém fidelidade a qualquer custo!
 
Se alguém duvida, que o coração daquele pai velhinho – que foi embora da casa do filho pela última vez, descalço, no chão pedregoso – se alguém duvida que o mesmo coração de amor e caridade ficou no Cláudio, que faça um teste: Entre naquela capelinha descalço! Se o sapato dele servir no seu pé, ele ficará descalço e você sairá dali calçado!
 
Vejam que, naquela ocasião do pai, ele não tinha dinheiro nem para comprar um par de sapatos e se tivesse emprego, teria de ir descalço! Imaginem a humilhação! Na verdade, eles tinham acabado de vir de Rio do Sul para Blumenau, onde tinham perdido tudo por causa de um sócio corrupto. E tudo o que lhes restou – a “mudança”, a roupa e os sete filhos – coube dentro de um fusca velho, que os levou ao novo endereço.
 
Quando os visitei pela primeira vez em Blumenau, e vi a casa que haviam construído, num alto barranco e sofrido, notei que nela estavam impressas as marcas de muitos anos de trabalho. Pedaços de um tipo de concreto e reboco, outros sem, partes completas outras não, um e outro tipo de piso, tudo marcas de sofrimento, de persistência, de tenacidade, de provações... De muitos anos de remendos e ampliações. E vi a presença de Deus naquela família! Porque isso é vencer!
 
Depois, quando os filhos foram casando, a família aumentou, e a casa – embora grande e espaçosa – já não poderia abrigar a todos, então os dois deixaram a casa para seus filhos e foram para Porto Belo, onde hoje se encontram. Numa singela casinha mista, de madeira de pinus e partes em material, novamente aqui a marca do esforço, dos pisos e azulejos de múltiplos tamanhos e cores, prova de mais esforço, e de mais tenacidade.
 
Em ambas as casas a marca da Norma, esposa do Cláudio, que é pedreira de mão firme. Ela tanto levanta paredes como as reboca, e faz todo o trabalho pesado, para que o Cláudio possa se dedicar com mais afinco a missão que Deus lhes confiou.
 
Eles, de fato, poderiam ser ricos! Houve propostas rejeitadas da maçonaria! Muitos lhes vieram oferecer dinheiro em troca da submissão profética. Falo de pessoas que financiam os profetas, que os levam debaixo do braço, que os conduzem a países estrangeiros e mesmo em translados pelo país! Fazem-se donos deles, para orgulho pessoal! E quantos são esmagados por eles depois, que os chupam depois jogam fora! Ai do profeta que se deixa iludir por gente assim! Ou que depois passa a exigir mensagens! Ai, ai, ai!
 
Também temos os casos daqueles profetas que exploram pessoas de bem. Que dilapidam o seu patrimônio que é colocado nas mãos destes falsos para evangelização, mas que não vira evangelização, e sim carros de luxo, casas para filhos e obras particulares. No que se constitui um verdadeiro estelionato. Ai, ai, ai!
 
Ou ele poderia estar vendendo milhares de objetos ali na capelinha, ter lucro com livros e imagens de santos, ou terços e medalhas. Nada disso, porém ocorre aqui! E se não fosse alguma pequena ajuda de amigos – tudo pela providência divina – eles certamente não teriam condições de tocar a obra, porque somente o telefone, a energia e os impostos, já consomem mensalmente 70% do pequeno benefício que ele recebe do INSS.
 
Muitas vezes já cheguei na casa deles, e pude ver a geladeira vazia. Eles repartem tudo o que têm, e houve uma vez em que um vizinho pobre veio pedir ajuda, e eles dividiram as últimas raízes de aipim que dispunham. Seco! Ou dão até os últimos trocados do bolso!
 
A construção da capelinha do Pequeno Cenáculo e depois a de Nossa Senhora de Sion, foi obra do esforço de muitos, como o trabalho esforçado deles. Tudo é singelo, pequeno, mas aconchegante e amoroso, porque se aninha no coração de Deus.
 
Por isso eu digo que aqui se cumpre plenamente a palavra de Jesus que disse: “Deus Se revela aos humildes e pequeninos, para confundir o orgulho dos entendidos e doutores”. Se desta humildade, desta singeleza, deste coração tão grande num homem de estatura tão pequena, se dali não sai uma verdadeira Obra de Deus, então a Palavra de Jesus acima, se esgota no vazio. Não há como não constatar!
 
Tudo entre dores e limitações sem conta. Problemas de saúde constantes, deles e em todas as casas dos filhos também! Porque a Mãe diz que eles não são melhores do que os outros e devem estar sujeitos às mesmas dores! Mas sempre a presença da graça de Deus é constante, pois embora as UTIs, embora tantas coisas estranhas, até hoje ninguém da família faltou! Sim, apenas Palmira que cumpriu seus dias! Mas esta é outra história!
 
Entrementes, a casinha continua a mesma de 10 anos atrás! O carrinho usado que eles tanto precisam para as Missas diárias distantes, só Deus sabe a que custos o mantêm. Acima de tudo, continua a mesma humildade, o mesmo escondimento, a mesma obediência e submissão ao Céu, o mesmo amor e caridade com que ele atende as pessoas que a Mãe conduz para lá, eis o que dá sustento e força ao Movimento.
 
Quando, você leitor amigo, lá de longe, de sul a norte do Brasil, ou de outros países distantes ouvirem falar no Movimento Salvai Almas, podem ter certeza de que ele seria impossível sem o grande amor, sem o grande coração, sem a humildade do Cláudio e o apoio da Norma. Pois sem o apoio firme e decidido dela, certamente na sua fragilidade e limitações naturais, ele não teria forças de continuar a duríssima missão – nem diria carisma – que Deus lhes confiou.
 
Porque foram certamente precisos mais de 40 longos anos de provação contínua, entre dores físicas, entre perseguições morais, entre golpes financeiros e ataques do inimigo, para que se forjasse – mesmo na frágil saúde dele – a personalidade capaz de suportar tantos e tão dolorosos trancos. Que ninguém queira ter seu carisma!
 
Saibam todos: não teço estas linhas para enlevamento dele, e sim para que todos possam ver não somente esta árvore de bons frutos, mas também as raízes e o local onde ela está plantada. Rezemos para que Deus continue regando esta plantinha!
 
E – por tudo isso – jamais imaginem que estão navegando numa canoa furada! Ela é um dos botes salva almas, da Grande Barca, e segue junto pelas tempestades. Muitos náufragos têm sido resgatados por ela. Um dia os veremos todos! Antes da vinda de Jesus! Aguarde o dia deste grande mistério!
 
Que Deus abençoe a todos!


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