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Marisa Bueloni



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Postado em: 05/05/14 às 09:06:37 por: James
Categoria: Marisa Bueloni
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Marisa Bueloni


Se me perguntarem qual mês é mais bonito, se abril ou maio, hesitarei na resposta. Abril é todo feito de luz, prenúncio e confirmação da beleza outonal. A Terra se recompõe para um novo movimento e pode-se ouvir o rumor de seu eixo em rotação.

Maio me traz uma parte linda da infância e do grupo escolar. É o mês dos casamentos, o mês de Maria, o mês do rosário. Relembro meu pai e minha mãe, rezando o terço, de joelhos, diante do quadro dos Sagrados Corações. Não sei se rezo mais em maio do que nos outros meses; acho que não. Rezo igual.

Nesta longa estrada da vida, vamos todos seguindo e não se pode parar. À medida que avançamos na idade, nosso trabalho parece aumentar, os compromissos e deveres se avolumam de forma curiosa. Da vida ninguém se aposenta. É uma grande bênção ser útil em qualquer tempo, todos os dias, para os outros, para nós mesmos e para Deus.

Quem julgou descansar em berço esplêndido na aposentadoria, pode tirar o cavalo da chuva. Claro, há aqueles que, por vontade e planejamento, desejam se enfurnar em algum sítio, deitar numa rede e ali ficar para sempre. Mas em geral, não é bem assim.

Podem acontecer coisas terríveis na sonhada mudança da cidade para o campo, quando se compra uma chacrinha graciosa e se tem de conviver com o vizinho e mais quatro cachorros de diferentes raças. Uma sinfonia de latidos para ninguém dormir.

Ou então, você compra a propriedade para morar e o seu vizinho tem a dele para as festas e farras dos finais de semana. Aí, você está perdido. Venda para o primeiro que aparecer. E vá se aposentar em outro lugar. Talvez numa casinha boa, num bairro sossegado, sem tanto barulho.

Assim é a vida e suas surpresas, seus golpes rasteiros, que nos pegam numa curva do caminho. Paciência.  Porém, existe um grupo privilegiado de pessoas que escapa meio ileso, envelhece com saúde, viaja o ano todo, curte praia, tem dinheiro para tudo isso e é feliz. Qual será o segredo?

Não existe segredo algum. Ninguém sabe como estas pessoas driblaram o derrame, o temido “alemão”, a diabete, as doenças degenerativas e chegaram tão inteiras e dispostas, trafegando pela longa estrada da vida sem bengala. Uns morrem de enfarte aos trinta anos, outros estão nos setenta, dançando nos bailes saudosistas e programando a próxima viagem.

Esta estrada é nossa velha conhecida e por ela nos conduzimos, dando um passo por vez. Ao longo do trajeto, encontramos os caminhantes ao nosso lado e dividimos um copo de água, um pedaço de pão, uma peça de roupa, um abraço, pois seguimos todos para o mesmo lugar.

Quem trabalha de sol a sol, quem já se aposentou ou já percorreu boa parte do caminho, enfim, cada um vai deixando sua presença, sua marca e seu rastro no solo abençoado que palmilhamos hoje e onde repousaremos amanhã.

Que a terra desta longa estrada da vida nos dê frutos benfazejos e faça brotar de nós a relevante solicitude do amor. Como diria o filósofo Mario Sergio Cortella: “Vivam bem e morram em paz!”.

 

 
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