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Marisa Bueloni



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Postado em: 05/05/14 às 09:06:37 por: James
Categoria: Marisa Bueloni
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Marisa Bueloni

Acabamos de celebrar a santa Páscoal. Duas festas lindas para os nossos corações. Uma leitora querida me pediu um texto celebrando as tardes aprilinas.

Espero não me perder em meio à crônica que encerra abril, pois eis que o mês mais lindo do ano termina. Abril passou e não o cantei, não o descrevi em suas tardes magníficas, não o exaltei em suas virtudes.

Abril passou com um calor tropical atípico. De onde vem esta onda tórrida que nos obriga a pedir pela chegada do frio? Seria mesmo o propalado aquecimento global o grande causador das mudanças climáticas em nosso planeta?

Talvez, por uma cadeia invisível, que age independente da vontade humana, todo o universo é posto à prova. Quanto mais se o desafia, maior é o desastre. Abril não poderá deter a catástrofe anunciada.

A vocação de abril é aclamar o amor, a esperança de que a Terra prossiga, apesar dos tempos sombrios. Estamos em órbita, ao encontro profético dos tempos.

Por isso, busco extrair do cotidiano algo que seja proveitoso e significativo. Aprendi isso com as tardes de abril e suas vibrações luminosas. Por vezes, uma leve e suave brisa abraça-me a alma pequenina. Sinto que sou parte deste universo que pulsa e respira ao ritmo da Criação.

Neste humilde texto, empenho-me para não deixar abril passar em branco, desprovido da devida homenagem. Não sei se a crônica tem o dom de evocar o que abril contém em beleza, expectativa e inspirações.

Sim, abril sempre me inspira, renova-me as forças e a crença no bem. Abril sempre merecerá de mim uma palavra, um verso, um suspiro, um olhar mais profundo sobre a vida e suas vicissitudes.

Estes nossos tempos pedem coragem. A cada dia que passa temos de nos armar de mais cuidados e cautelas, para sair à rua, estacionar o carro, para ir e vir. Sentimos uma grande necessidade de nos proteger, de rezar, clamando aos Céus a guarda de nossos filhos e netos, nossos amados, sobretudo os pequeninos que começam a abrir seus olhinhos curiosos para o mundo que os cerca.

Enquanto rezei, abril transcorreu. Abril atravessou as contas do meu terço, na luz intensa que entrou pelas janelas todos os dias, enquanto a vida vai juntando peças de um mosaico misterioso.

Todos já lemos que, um dia, a Terra deixará de existir, porque o Sol sofrerá uma implosão que o fará desaparecer, deixando de ser a generosa fonte de luz e de vida. Nem esta hipótese consegue tirar nossa paz de espírito, quando se compõe uma canção para abril. Deixemos a Terra sonhar.

Morar onde o sonho mora e viver eternamente em abril. Ó, as manhãs e tardes mornas, intermitências azuis. Saudade daquele outono em que pisei em folhas secas e vesti o meu casaco marrom, para voltar aos velhos tempos de mim.

Favor não reparar, leitora querida. Esta crônica inaugural é um paradoxo. Ao celebrar abril em seu final, ela abre suas pétalas para o mês do rosário, o mês de Maria.

Para um mês de maio encantador, ofereçamos à Mãe de Deus as rosas mais belas. Acima de tudo, ofertemos aquela rosa de perfume único: o amor do nosso coração.

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