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Marisa Bueloni



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Postado em: 26/10/09 às 20:45:43 por: James
Categoria: Marisa Bueloni
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Por: Marisa Bueloni

Recentemente, recebi uma notícia pela Internet, cujo título é o seguinte: “Sacerdote pode ser julgado por dizer que Jesus existiu”. Na pequena Viterbo, ao norte de Roma, o padre Enrico Righi vem sendo acusado por Luigi Cascioli, que culpa a Igreja Católica Romana por enganar as pessoas durante 2.000 anos com uma fábula.

         Até o momento em que li a notícia, os advogados do sacerdote e do seu acusador tiveram uma breve audiência com o juiz Gaetano Mautone, esperando pela decisão de se arquivar o caso, ou de levar o padre a julgamento. Cascioli registrou uma queixa-crime contra Righi, porque este escrevera  no boletim da paróquia que Jesus existiu de fato, nasceu em Belém, era filho de José e Maria e viveu em Nazaré. 

         Entre as acusações de Cascioli, consta a de que o sacerdote estaria violando duas leis, com o “abuso da crença popular” e o da “personificação”. Ou seja, segundo o acusador, o padre estaria cometendo uma fraude, ao afirmar que Jesus existiu, e também cometendo um crime por atribuir um nome falso a um personagem. Já o advogado do sacerdote afirma que “Don Righi é inocente porque ele disse e escreveu o que ele tem o dever de dizer e escrever”. E acrescentou que o padre “não estava afirmando um fato histórico quando escreveu sobre a existência de Jesus, mas sim expressando princípios teológicos”. 

         Depois de mais de 2.000 anos de história cristã, há quem não acredite na existência de Jesus. E ainda processe os que  assim o afirmam. Então, às vésperas do Natal, numa cidadezinha italiana, um juiz está às voltas com um caso curioso: um cidadão acusa um sacerdote de dizer inverdades, lesar a boa fé das pessoas, inventando uma fábula, criando um personagem que não existiu. E este personagem é ninguém mais que Jesus de Nazaré. 

         No contraponto das contendas, um portal da Internet também levanta uma questão importante, sobretudo por se tratar do universo infantil: como contar a uma criança que Papai Noel não existe... Sim, quase toda criança acredita no velhinho de barbas brancas, com o pesado saco às costas, que  desce pela chaminé, entra pela janela, enfim, dá um jeito de passar nas casas das pessoas e lá deixar os presentes. Mas, um dia, a criança cresce e descobre que o brinquedo veio do papai e da mamãe, e não do Papai Noel – este sim, um personagem, um ícone da crença popular. 

         Muitas pessoas confessam o seu profundo desencanto, o seu quase “trauma” de infância, ao descobrir que Papai Noel não existia. Contudo, a fé no bom velhinho é tão grande que a crença continua firme e forte. Muitos pais, nesta época, incentivam ou ensinam os seus filhos a escrever cartinhas a Papai Noel, alimentando ainda mais esta fantasia.  

        Alguns psicólogos vêem isso como algo positivo, por permitir que a criança viva este momento de felicidade, de ilusão. Afinal, vivemos num mundo tão violento! Uma fantasia inocente não faz mal a ninguém, dizem. Contudo,  é preciso estar atento para o momento em que as crianças começarem a fazer perguntas sobre a existência de Papai Noel.  

         E agora, caro leitor? Sobre quem devemos falar com nossos filhos na época do Natal? Vamos nos preparar para dizer a eles que Papai Noel não existe, ou vamos dizer que Jesus existe, que nasceu numa humilde manjedoura, em Belém, adorado pelos pastores, pobrezinho, envolvo em panos? Que dilema, não? Quem, afinal, conseguirá ser o personagem  símbolo do Natal: Papai Noel ou Jesus? 

         É uma luta inglória! Uma batalha insana – que a mídia parece ganhar de dez a zero, pois é mais fácil acreditar em Papai Noel do que em Jesus. Por paradoxal que seja, acredita-se no personagem que não existe e esquece-se d´Aquele que está vivo e presente em nosso meio. Mas, se você é um pai católico,  uma mãe cristã, se você é crente, sabe que tem o dever de falar de Jesus aos seus filhos e contar a história do Seu nascimento – a mais bela história da humanidade.  

         Vamos ter a coragem de dizer às crianças que Jesus é a razão do Natal e não Papai Noel? Teremos o bom senso de permitir que o velhinho querido entre na festa, mas como coadjuvante apenas, deixando para Jesus o centro da celebração natalina? É preciso prudência e comedimento em tudo, se desejamos comemorar dignamente o nascimento de Jesus: seja nos gastos com presentes, no consumo exagerado, na comida e na bebida. Devemos ser sóbrios, simples e dar presentes com amor, recordando que os reis magos também presentearam o Menino. 

         Sim, o Natal é encantador e seu encanto tem um nome: Jesus Cristo. Apesar de tudo, lá numa cidadezinha da  Itália, um pobre padre foi acusado por um conterrâneo de ter inventado um personagem e enganar as pessoas com uma fábula. O padre só escreveu no boletim da paróquia que Jesus existiu e nasceu em Belém. Filho de Maria e José. A fábula de uma noite gloriosa em que nos nasceu o Salvador. Incenso, ouro e mirra. Adoração. Anúncio dos anjos. O Verbo veio habitar entre nós. Um presépio eterno, de luz e de paz,  perpetua-se  na memória e nos corações atentos.

         Felizes os que não viram e creram!

 

Marisa Bueloni é formada em pedagogia e orientação educacional. (marisabueloni@ig.com.br)

 
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