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Destaque



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Postado em: 08/10/13 às 12:23:12 por: James
Categoria: Destaque
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No 29º lugar da Classificação de países por perseguição, a Argélia é formada por uma população majoritariamente islâmica (sunita).

A lei proíbe a conversão de muçulmanos a outras religiões e cristãos são vistos como um perigo para o país. A cristã Djamila é líder de um ministério de mulheres. Ela conversou com a Portas Abertas sobre o desafio de viver em uma nação restritiva ao cristianismo

Portas Abertas: Há muitas mulheres cristãs reunidas aqui. Você poderia nos contar quais são as dificuldades delas aqui na Argélia?

Djamila: A lista é bastante grande. Por estarmos em um país islâmico, eu diria que elas não têm uma vida cristã normal aqui. O que para a Igreja já é muito complicado; para as mulheres é sempre mais difícil, por conta das nossas tradições. Uma mulher tem de seguir uma série de regras, ela não é livre para fazer o que quiser.

Se uma mulher é cristã e seu marido não, ela será perseguida primeiramente por ele e não terá permissão de cultuar a Deus, de ir à igreja ou estar em comunhão com outros cristãos. Ela pode viver sua fé em segredo, mas se isso for descoberto, enfrentará grandes problemas com a família de seu esposo ou mesmo com sua própria família e pais. Eles podem rejeitá-la ou forçá-la a divorciar-se de seu marido. Então, ela não é livre.

Se seu marido é cristão também, ela é abençoada! Pode ir à igreja com ele, mas ainda assim pode sofrer perseguições de sua família e ser rejeitada ou desprezada. O mais importante, porém, é que ela pode viver como cristã com seu marido.

É muito difícil ser cristã em um país islâmico. Ela pode ter muitos problemas ao sair de casa, ser ameaçada, criticada ou insultada se for vista indo à igreja. Ela não é protegida.

Portas Abertas: Há muitas cristãs aqui na região de Kabyle que escondem sua fé de suas famílias?

Djamila: Sim, muitas. Eu conheço muitas dentro de minha própria igreja. Muitas irmãs passam por isso, algumas são casadas, outras não. As que não são casadas são estudantes ou moram nas redondezas e vem para a igreja em segredo. A família não pode saber que elas vêm à igreja; elas não podem, em hipótese alguma, serem vistas ou fotografadas em frente a uma igreja. Eu sei que muitas delas praticam sua fé desta maneira.

Portas Abertas: É fácil para uma mulher crescer na fé?

Djamila: Não, não é fácil. Especialmente se elas vêm para a igreja escondidas, elas precisam de muitos ensinamentos. Haverá ocasiões em que elas não serão capazes de vir, por exemplo, no caso de serem vigiadas se descobrirem que se tornaram cristãs. Elas devem ser muito cautelosas e certamente precisam de muitos seminários, cursos, etc. Estas mulheres estão em contato conosco, claro, secretamente. Elas nos fazem questionamentos e podemos treiná-las clandestinamente em um lugar e horário marcado.

Portas Abertas: Do que essas mulheres precisam para fortalecer sua fé?

Djamila: Elas precisam de encorajamento porque podem facilmente abandonar a fé, especialmente se são novas convertidas. No início, há zelo e alegria por encontrarem o Senhor, elas estão dispostas a assumir riscos, mas às vezes são surpreendidas. Em geral, quando a perseguição vem. Nesses momentos, muitas ficam amedrontadas e voltam atrás. Nessas horas elas precisam ter o apoio de outros cristãos, isso é muito importante para elas. Precisam se sentir encorajadas através de telefonemas e visitas. Precisam ouvir e entender que o que está acontecendo é normal, que é um momento que vai passar e que é importante que fiquem firmes. Elas precisam de encorajamento! Nós temos procurado fazer esse tipo de trabalho com elas.

Portas Abertas: Como uma líder, como você vê o ministério de mulheres na Argélia?

Djamila: Nós precisamos depender de Deus. Esse trabalho não pode ser feito humanamente porque há muitas viúvas, divorciadas por causa da fé, convertidas secretas, etc. Precisamos de sabedoria vinda do alto. Eu gostaria de ter muitas outras mulheres envolvidas nesse ministério, a colheita é grande, mas também há poucos trabalhadores. Há muito que fazer, essas mulheres precisam ser ouvidas, encorajadas, precisam falar, compartilhar suas experiências, conhecer o Senhor. Elas precisam saber o que o Senhor pensa sobre elas, já que numa sociedade islâmica, geralmente a mulher é desprezada e não tem valor. Esse tipo de ministério tem o objetivo de fazê-las entender que são amadas e que alguém morreu por elas, se importa com elas. Por isso, é tão trabalhoso e leva tempo. Nós utilizamos diferentes métodos para comunicar de modo efetivo o que queremos passar e dar esperança a essas mulheres e ajudá-las a perseverar na caminhada cristã.

Portas Abertas: Qual foi o efeito que a lei de 2006* causou ao ministério de mulheres?

Djamila: A lei de 2006 abalou muito aos cristãos. Essa lei é uma ameaça àqueles que falam de Jesus abertamente e impõe limites aos nossos direitos. Especialmente para as mulheres é muito difícil e chocante ouvir que não podem falar sobre Jesus ou mesmo crer nele. Então, elas passaram a ser mais reservadas e cautelosas, o que é uma reação normal, especialmente para aquelas que praticam sua fé em segredo. Mas não vi nenhuma mulher negando sua fé por causa dessa lei. Muito pelo contrário: elas ainda vêm às igrejas e dizem em alto e bom tom que não vão desistir e que vão perseverar na fé. Eu vi mulheres se tornando mais fortes, orando mais. Estão motivadas a se aproximar mais do Senhor. Elas creem que Deus agirá e não as deixará cair. Tenho notado isso com as mulheres e com a Igreja de modo geral.

*Em março de 2006, foi aprovado o Decreto 06-03, que restringe cultos não islâmicos na Argélia.

Fonte: http://blog.comshalom.org/carmadelio

 
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