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Artigo N.º 4240 - Livro sobre Jesus Cristo - Parte 3
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Visto: 2202
Postado em: 06/02/10 às 17:22:03 por: James
Categoria: Artigos
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CAPÍTULO 2

Os Evangelhos nos remontam ao Jesus histórico

Assegurada a existência de Jesus, é preciso perguntar qual é o autêntico Jesus e onde descobri-lo. Existe um só Jesus ou vários? Os Evangelhos são o caminho para um encontro com o verdadeiro Jesus, pois são a fonte principal para conhecer Jesus. Os Evangelhos não são uma biografia no sentido moderno. São, na verdade, uma recopilação da mensagem e dos fatos fundamentais de Cristo, escritos para comunicar a fé nele. Tais fatos e palavras de Cristo, antes de ser escritos nos princípios dos anos 60 pelos sinóticos e no ano 100 por João, já tinham sido transmitidos pela primitiva comunidade cristã na liturgia e nas pregações.

Nos Evangelhos encontramos uma verdadeira história de Cristo: "A Santa Mãe Igreja sustentou e sustenta com firmeza que os quatro Evangelhos -cuja historicidade afirma sem dúvida alguma- transmitem fielmente o que Jesus, filho de Deus, fez e ensinou durante a sua vida entre os homens para a salvação eterna deles até o dia em que subiu ao céu". 

Os problemas que temos de solucionar são os seguintes: o Cristo judeu histórico é o mesmo Cristo anunciado pelos apóstolos e pela fé da Igreja? Os Evangelhos são narrações históricas ou são invenções de quem conheceu Jesus? Lendo os Evangelhos, nos aproximamos do verdadeiro Jesus histórico? 

Muitas soluções foram dadas no campo protestante, mas quase todas acabam dizendo que o Cristo histórico não é o mesmo Cristo anunciado pelos apóstolos e mostrado nos Evangelhos. O influente teólogo protestante Bultmann diz que não interessa o Jesus histórico, mas sim o Jesus da fé. Interessa, diz ele, a mensagem de Jesus; o mais é mito inventado pelos apóstolos: nascimento virginal, milagres, ressurreição, etc. 

Dada a importância da questão, trataremos de encontrar a parte de verdade e de erro que se encontra por trás dessas posições.

 

1   Os Evangelhos transmitem o verdadeiro Jesus Cristo 

Os fatos narrados eram conhecidos por todos; não só por terem visto pessoalmente, mas também por terem ouvido. Não puderam, portanto, desfigurar nada da realidade. Neste caso teriam sido desmentidos e não existe rastro algum de retificações. Se os evangelistas não tivessem dito a verdade, seus Evangelhos teriam sido rejeitados por aquela geração que foi testemunha dos fatos. Não existe documento nenhum que revele essa rejeição. 

Já os evangelhos apócrifos, que carecem de rigor histórico, foram comumente rechaçados. São relatos fantasiosos e inverossímeis, contêm erros de geografia da Palestina, falta fidelidade ao marco histórico. Nunca foram aceitos pela Igreja por não estarem contidos no Cânon de Muratori, que é uma lista de livros inspirados feita pela Igreja no século II. 

Os dados que os Evangelhos nos apresentam sobre a geografia do país, sobre a situação política e religiosa e sobre os costumes concordam com o que sabemos de outras fontes. Além disso, os evangelistas morreram para defender a verdade do que diziam; ninguém dá a vida por algo que sabe que é mentira. 

Inspirados por Deus, eles não podem se enganar nem mentir. O Concílio Vaticano II diz que a Bíblia inteira é inspirada por Deus. E São Paulo: "A Escritura é inspirada por Deus". 

Os Evangelhos são, em realidade, catequese e testemunho da fé de pessoas que crêem em Cristo e que querem comunicar esta fé. Foram escritos à luz da Páscoa. O fato de os Evangelhos serem um testemunho de fé não significa que não contenham um verdadeiro conteúdo histórico. Afirmamos com a Igreja que na origem dos Evangelhos se acham os fatos e as palavras de Jesus. Mas estas palavras, fatos e acontecimentos da sua vida foram transmitidos através de vários meios e processos: 

Primeiro: Cristo não escreveu nada, só pregou a Boa Nova. 

Segundo: a primeira atividade dos apóstolos depois da ascensão do Senhor foi proclamar oralmente essa Boa Nova de Jesus. Uma vez morto Jesus, uma vez ressuscitado, seus discípulos pregam que nele, nas suas palavras e na sua vida aconteceu a salvação para todos os homens. Pregam o que tinham visto e ouvido, sob a luz da ressurreição e do Pentecostes. Também recorreram ao Antigo Testamento para entender melhor tudo o que dizia respeito a Jesus. Ao transmitir os dizeres e fatos de Jesus, eles levaram em consideração as circunstâncias dos ouvintes e as conseqüentes variações. 

Finalmente, começa uma recopilação e fixação escrita das palavras, fatos e acontecimentos da vida do Senhor com os quais os discípulos contavam para suscitar a fé. Esta ampla coleção das palavras de Jesus é chamada "fonte Q". Cada escritor sagrado selecionou o material que lhe convinha para os destinatários da sua obra. Os evangelistas não se propunham "narrar" uma história de Jesus, mas fazer brotar a fé nos seus destinatários. Marcos faz um esforço de síntese de todo o material e os ordena em seu evangelho. Mateus e Lucas aproveitam o esquema de Marcos e o completam, juntando mais material que possuíam. O mesmo fez o evangelista João. 

Tiremos umas conclusões importantes: 

Na leitura dos Evangelhos se transmite o verdadeiro rosto de Jesus. Uma leitura meditada, acreditando, em união com Cristo e na caridade fraterna, proporciona um conhecimento profundo e verdadeiro de Jesus. 

É preciso estar em permanente contato com os escritos do Novo Testamento para redescobrir o rosto de Cristo, a sua dimensão humana e divina. Este permanente contato é necessário para não fazer de Jesus um mito; não idealizar nem descarnar a imagem de Jesus; para não nos deixarmos captar por ideologias; para reencontrar a unidade na mesma fé; para não fazer de Jesus um ideal puramente humano; para não nos conformarmos com as nossas projeções e desejos; para encontrarmos o caminho até Deus sem perder o homem. 

Quando lemos o Evangelho notamos que há textos de categorias diferentes: alguns narram a infância de Jesus, outros a sua atividade na Galiléia, outros suas palavras, outros seus feitos, ensinamentos, a paixão e ressurreição. O importante é que todos os textos dependam de Jesus, se refiram a Jesus. Pois bem, alguns dependem dele diretamente, outros atualizam ou interpretam os fatos e as palavras do Senhor. Todos eles, no entanto, são necessários para o conhecimento histórico de Jesus. 

Por que há semelhanças e diferenças? Cada evangelista nos transmite, junto com a sua história, o próprio interesse, seus aspectos pessoais ou culturais. Mas é indubitável que existe uma identidade a respeito da Pessoa de quem eles falam e inclusive dos acontecimentos que narram. Por isso, para encontrar a verdadeira imagem de Jesus Cristo, não é possível escolher um trecho e rejeitar outros. Tampouco podemos desprezar os textos que não coincidem com a nossa maneira de ver as coisas. É preciso levar todos em conta, mesmo sendo possível fazer distinções devido ao caráter do texto. É como tirar uma fotografia de diversos ângulos. 

Por que alguns hoje querem negar a historicidade dos Evangelhos seguindo a escola protestante de Bultmann? Hoje ninguém se preocupa com o problema da historicidade do Corão (o Corão não é mais do que uma recopilação eclética de doutrinas, e Maomé, que pretendeu ter tido uma revelação divina, não a justificou nunca por meio de milagres); no entanto, muitos se preocupam com a historicidade dos Evangelhos. O motivo é claro: as outras religiões não têm a originalidade do cristianismo. O cristianismo se apresenta como Deus entre nós, como Deus mesmo encarnado para nos redimir das grandes impotências que pesam sobre a humanidade: o pecado, o mal e a morte. É a doutrina da comunhão fraterna em Cristo; é por isso que Ele é perseguido: é disso que muitos terão que dar conta. Como dizia Danielou, a suma causa da perseguição ao cristianismo reside na suprema beleza, na beleza irradiada da verdade.

 

2   Existem critérios de historicidade nos Evangelhos? 

Critério das múltiplas fontes: quando encontramos um dado evangélico em diversas fontes que compõem os Evangelhos, temos a certeza que se trata de um dado histórico. 

Critério da descontinuidade: quando um dado é totalmente contrário à mentalidade da comunidade primitiva, não é possível dizer que foi ela, a comunidade, quem o inventou. O título de "Filho do homem", por exemplo, ela não utilizou nem entendeu; como poderia tê-lo inventado?

Critério da conformidade: todos os exegetas concordam que a pregação de Jesus sobre a chegada do Reino é um dado histórico. É o núcleo da sua mensagem. 

Critério da explicação necessária: temos que admitir como histórico um dado que aparece como a única explicação de uma série de acontecimentos evangélicos e sem o qual estes acontecimentos ficariam sem explicação. Exemplo: ou Cristo instituiu a Eucaristia ou não há como entender que em toda a parte e desde o princípio se celebre a Eucaristia no seio da Igreja. 

Critério do estilo próprio de Jesus: todos os exegetas admitem que Jesus tinha um estilo pessoal, um estilo feito de inegável autoridade -"...mas eu vos digo"-, além de uma inaudita simplicidade que quebra todos os esquemas, num relacionamento preferencial com as crianças, os doentes, as mulheres, os pecadores. 

Para concluirmos é preciso dizer que os critérios aqui expostos serão usados em conjunto. Só assim eles darão luz e certeza. Ao lermos os Evangelhos nós escutamos, se não as mesmas palavras de Jesus (obsessão do século passado), pelo menos a mensagem autêntica de Jesus para a nossa salvação eterna. 

 

3   O que diz a fé da Igreja? 

Sem a adesão à fé não há um conhecimento adequado da Pessoa e da obra de Jesus de Nazaré. Os Evangelhos são os únicos testemunhos válidos, inclusive do ponto de vista histórico. Para escrever estes textos foi necessária a fé. Para compreendê-los ela também é necessária. Esta adesão à fé tem algumas características importantes:

Foi provocada pelo Espírito Santo. Para conhecer Jesus, Deus e homem, precisamos da luz do Espírito, pois Ele é um mistério. Deus não só se propõe a nós na história, mas está trabalhando dentro de nós para nos abrir ao testemunho histórico em toda a sua riqueza e amplidão. 

A adesão à fé não termina nem em Jesus nem no Espírito, mas no Pai. A cristologia deve ser fundamentalmente trinitária. Cristo nos leva ao Pai. O Deus de que falou Jesus é seu Pai. 

A adesão à fé tem uma dimensão comunitária e eclesial. Fora da Igreja não existe um verdadeiro, permanente, correto e total conhecimento de Jesus. Quem se separa da Igreja acaba, cedo ou tarde, com uma imagem desvirtuada e inexata de Cristo. 

Ainda que o Espírito não esteja encerrado nos limites da Igreja institucional e sopra onde quer, também é verdade que esse Espírito orienta a Igreja, a ilumina, a chama à unidade na caridade. Que lugar é ocupado pelos movimentos dentro da Igreja na apresentação do rosto de Cristo? Se eles estiverem unidos ao Papa e aos bispos, apresentarão o verdadeiro rosto de Cristo; se não, farão nascer tensões e dificuldades que acabarão com a sua dissolução. 

 

CONCLUSÃO: Os Evangelhos são um dom de Deus para o mundo, um presente que só pede mãos generosas que o recebam e abram, um coração fiel que o acolha, uma boca sincera que o transmita e pés ágeis que o levem por toda parte, para todos poderem conhecer, admirar e compartilhar o amor e a beleza de Jesus Cristo, o Filho de Deus Vivo.

 


Fonte: www.vocacao.com/content-az8.htm



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