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Ela te pisará a cabeça e tu lutarás contra o seu calcanhar.” (Gn 3,15)
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Maria: Ministério Batismal e Sacerdotal


Palestra proferida em 05/09/2009

para a Academia Marial de Aparecida



Prof. Dr. Côn. Pedro Carlos Cipolini





INTRODUÇÃO
Falar de Maria é sempre uma alegria para os seguidores de Jesus, mas também é um desafio. Alegria porque compreendemos o papel único desta mulher na História da Salvação. Um desafio porque sabemos que ao longo da história da Igreja a compreensão deste papel passou por muitas vicissitudes.
Dentro da Igreja Católica tivemos um período de maximalismo mariano (1830-1950) que gerou depois um minimalismo mariano (1960-1974) revertido a partir da Marialis Cultus do papa Paulo VI. Hoje, após o Vaticano II, há uma tendência a um equilíbrio maior, mais seriedade e profundidade no estudo da mariologia. Assim podemos afirmar que a mariologia, bem longe de estar no fim ou de ter alcançado sua meta, encontra-se em um período de renascimento, com tarefas que envolvem compromissos e novas metas:

“Maria reaparece no horizonte eclesial como aurora pela sua natureza ligada ao Sol de justiça e como portadora de vida e de esperança”.[1]

Os bispos em Puebla colocaram com muita propriedade a figura de Maria relacionada a Cristo e sua obra redentora: “Deus se fez carne por meio de Maria, começou a fazer parte de um povo, constituiu o centro da história. Ela é o ponto de encontro entre o céu e a terra. Sem Maria desencarna-se o Evangelho, desfigura-se e transforma-se em ideologia, em racionalismo espiritualista”.[2] Aqui é colocada de maneira muito concisa a importância de Maria na História da Salvação: escolhida por Deus para ser o ponto de encontro entre o céu e a terra, o elo de ligação é Cristo. Mesmo nos primeiros séculos da Igreja, o significado simbólico de Maria começara a ultrapassar em muito o conhecimento histórico.[3]

É necessário considerar que a ligação de Maria com Cristo a liga também à Igreja, esta é uma união inseparável, assim como são inseparáveis Reino, Cristo e Igreja.[4] Um dos teólogos mais conhecidos do século XX, vai se exprimir de forma concisa, mas profunda, a respeito da importância de Maria: “Se Cristo fosse artificialmente separado de sua mãe e da Igreja, perderia na piedade cristã a sua possibilidade de ser captado e compreendido historicamente, tornando-se algo abstrato, um aerólito caído do céu para a ele voltar logo depois, sem introduzir suas raízes na tradição passada e futura dos homens”.[5]

O testemunho da Escritura sobre Maria é suficiente para dimensionarmos sua grandeza. Os Evangelhos falam o suficiente sobre Maria, não pretendem satisfazer nossa curiosidade sobre ela, mas nos dão a chave para entender e acolher o segredo de sua pessoa.[6] Os Evangelhos nos apresentam Maria num crescendo, à medida que a comunidade vai se desenvolvendo e se aprofundando no conhecimento de Jesus, vai descobrindo o papel de Maria. Assim o Evangelho de Marcos começa por registrar que Jesus é filho de Maria, Lucas e Mateus ressaltam a escolha que Deus fez de Maria, sua fé, sua virgindade e maternidade e, por fim, João coloca-a no início da vida pública de Jesus em Caná, e no final no Calvário.

Em Caná Maria entrega Jesus: “Façam o que Ele mandar” (Jo 2,5) e no Calvário Jesus entrega Maria: “Eis tua mãe” (Jo 19,27). Em Caná Maria é símbolo da comunidade nova associada ao mistério da encarnação e redenção de Jesus, está nas origens. Aí ela é sinal do que está para vir, adiantando a hora de Jesus (sua páscoa). No Calvário, no momento da passagem da morte para a vida (páscoa), ela pela fé recebe a missão da maternidade dos discípulos como mãe do discípulo-Igreja e mãe universal. Pois foi a primeira a acreditar e a primeira na perseverança na fé.

Os Evangelhos deixam patente que no centro do mistério da encarnação está Jesus, mas Maria também faz parte deste centro. Escreve o papa João Paulo II: “No centro deste mistério, no mais vivo dessa admiração de fé, está Maria. Santa Mãe do Redentor, ela foi a primeira a experimentá-la”.[7] Alude à admiração da criação por ter Maria, criatura, gerado o Criador.



I. MARIA, IGREJA E MINISTÉRIOS

Para falarmos de Maria relacionada ao ministério Batismal e Sacerdotal, é necessário fazermos menção ao relacionamento de Maria com a Igreja, dado que estes ministérios são ministérios eclesiais, pois se desenvolvem no âmbito da Igreja. São, sobretudo, serviços. Ministério aponta para o serviço, dado que o ministro é o servidor da comunidade, (ministerium = serviço, vem da raíz minus = menor, o que está em posição abaixo para servir à mesa e minister = servo ou servente). É importante notar que o primeiro e mais fundamental na Igreja é a comunidade e não o ministério, pois o ministério existe em função da comunidade. Por isso, quando os ministros se sobrepõem à comunidade com espírito de dominação e mando, é uma aberração.[8]

E quando falamos em comunidade, comunhão, nos reportamos ao que é nuclear no cristianismo: ao amor. O único valor que permanecerá para sempre, a única meta da vida cristã, é o amor. Mas dizer amor parece um lugar comum, a palavra amor serve para tantas coisas, por isso o amor compreendido cristãmente é serviço: amor-serviço: “coloquem-se a serviço uns dos outros através do amor” (Gl 5,13). A grandeza de Maria, portanto, está neste amor único e perfeito com o qual ela amou Jesus, cumprindo a vontade do Pai que é a aceitação de Jesus em nossa vida: A vontade do Pai é que aceiteis aquele que Ele enviou e assim tenham a vida eterna (cf. Jo 6,40).

A Igreja é comunidade de amor, é Igreja da Caridade[9] e nela Maria refulge como a que mais amou. Porque estava imersa no amor, tinha o espírito de serviço: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua vontade” (Lc 1,38). Mas o amor da Igreja, e o de Maria também, não é amor primeiro, só Deus ama primeiro, portanto é um amor que brota da fé.

O ponto fundamental do relacionamento de Maria com a Igreja é sua primazia na fé: “bem-aventurada você que acreditou...” (Lc 1, 45). O concílio Vaticano II diz: “A todos aqueles que olham com fé para Jesus, como autor da salvação e princípio de unidade e de paz, Deus convocou-os e constituiu com eles a Igreja, a fim de que ela seja para todos e cada um, sacramento visível desta unidade salvífica”.[10] Podemos afirmar que a fé é fundamento e condição para tudo o mais dentro do cristianismo. É atitude fundamental como resposta a uma proposta. Podemos afirmar até que: “O cristianismo não é propriamente uma religião, mas antes uma experiência de fé”.[11]

Existe, portanto, uma proto-bem-aventurança, uma bem-aventurança que precede todas aquelas enumeradas no Sermão da Montanha. É a bem-aventurança da Fé proclamada por Isabel (Lc 1,45) e confirmada por Jesus: “Felizes, antes, os que ouvem a Palavra de Deus e a observam (Lc 11,17-28; cf. tb.: Mc 16,16; Jo 20,29). Maria cooperou de modo singular com a obra da redenção, pela fé, obediência, esperança e caridade, por tudo isso ela é mãe da Igreja na ordem da graça.[12] Ela é assim reconhecida como modelo extraordinário da Igreja na ordem da fé: “Maria reúne em si e reflete as maiores exigências da fé”.[13] Os bispos da América Latina por isso vêem em Maria a educadora na fé: “Enquanto peregrinamos, Maria será a mãe educadora na fé, ela cuida que o Evangelho nos penetre intimamente, plasme nossa vida de cada dia e produza em nós frutos de santidade”.[14]

O papa João Paulo II faz uma consideração significativa a respeito da fé de Maria, dizendo que no cenáculo, através da vinda do Espírito Santo, começou a caminhada da fé da Igreja. Porém, a caminhada da fé de Maria é mais longa que a da Igreja, pois a de Maria começou na Anunciação: “No cenáculo, o itinerário de Maria encontra-se com a caminhada da fé da Igreja (...) esta sua fé heróica precede o testemunho apostólico da Igreja e permanece no coração da mesma Igreja”.[15]

De Pentecostes nasce a Igreja com sua missão e serviço apostólico. Missão que podemos associar ao batismo, e serviço apostólico o qual podemos associar ao sacerdócio ministerial. Maria não recebeu diretamente esta missão apostólica e nem precisou ser batizada com água como nós, mas ela é a grande testemunha que confere historicidade ao mistério da encarnação e redenção:

· “Esse primeiro núcleo daqueles que se voltaram com fé para Jesus Cristo, autor da salvação, estava consciente de que o mesmo Jesus era o Filho de Maria e que ela era sua Mãe; e como tal, desde o momento da concepção e do nascimento, ela era uma testemunha especial do mistério de Jesus, daquele mistério que tinha sido expresso e confirmado diante dos seus olhos com a cruz e a Ressurreição. A Igreja, portanto, desde o primeiro momento, olhou para Maria através de Jesus, como também olhou para Jesus através de Maria. Ela foi para a Igreja de então e de sempre uma testemunha singular (...) foi quem primeiro acreditou”.[16]

Por tudo isto, podemos falar de um “princípio mariano”, que perpassa toda a fé da Igreja e que se pode exprimir da seguinte maneira: “O ato de fé mariano-eclesial perfeito completa e aperfeiçoa o ato de fé que fazemos de modo incompleto e imperfeito”.[17] Assim podemos falar de Maria relacionando-a ao ministério Batismal e Sacerdotal, porque relacionada intimamente a Jesus no mistério Pascal. Maria recebe no Templo, uma profecia especial: terá participação privilegiada nos sofrimentos do Salvador, “uma espada transpassará sua alma” (Lc 2,25-38).



II. SACRAMENTOS E MINISTÉRIOS
A vida da Igreja que, como tal, é sacramento na expressão marcante da Lumen Gentium no seu primeiro capítulo, é constituída pelos sacramentos. Sem Igreja não seria possível celebrar os sacramentos, pois foi à comunidade que Jesus mandou batizar, celebrar a ceia, entregou o serviço apostólico. Os sacramentos são expressões do mistério=mysterion manifestado em Cristo. O auge da história da salvação é o evento Cristo, o mistério por excelência, que Deus torna acessível através de mistérios mediadores e secundários que são a celebração dos mistérios litúrgicos na Igreja.

Os sacramentos podem ser entendidos como atos sinalizadores nos quais o evento sinalizado (Cristo/Salvação) toca e transforma a realidade presente. Esta é a visão patrística dos sacramentos da Igreja Oriental. Na Igreja do Ocidente o conceito bíblico mysterion será traduzido pelo termo latino sacramentum = sacramento. No idioma romano, sacramento tem um significado especial: designa o juramento à bandeira prestado por soldados quando convocados para a guerra. Assim se expressa Tertuliano (cf. Ad martyres 3,1): “Somos convocados ao serviço militar do Deus vivo, quando repetimos as palavras do juramento à bandeira – cum in sacramenti verba respondemus) ”.[18]

O Vaticano II vai recuperar de forma abrangente a compreensão dos sacramentos. Neles se processa por força do Espírito Santo a obra da redenção realizada por Cristo, possibilitando a participação no mistério pascal. Os sacramentos têm sua força eficaz no ato memorial que “nutre a vida cristã” e capacita os fiéis para “exercerem o amor”.[19]

A consideração sobre os sacramentos pode adquirir uma dimensão ampla e pluriforme, com uma imensa riqueza que poderíamos resumir da seguinte maneira: os sacramentos são a maneira como as pessoas encontram seu lugar em Cristo (Rm 8,1), eles permitem que já não vivam elas próprias, mas Cristo nelas (Gl 2,20), a fim de que Deus seja tudo em todos (1Cor 15,28). Esta configuração a Cristo que provém do Batismo e da Ordem, traz em si uma exigência de servir como Cristo.

Aqui, porém, vamos partir da consideração feita acima no sentido de falar do Batismo como sacramento que torna os batizados ministros no sentido em que respondem ao anúncio-kérigma, tornando-se discípulos e missionários. O sacramento da Ordem faz do batizado um servidor do Povo de Deus, para criar a solidariedade entre os homens e Deus e dos homens entre si. Ambos fazem um juramento, se engajam numa tarefa de vida como Maria que ouviu o Anjo que lhe anunciou Jesus. Ela acreditou, respondeu com a fé de discípula e se tornou missionária indo levar Jesus a Isabel. E por toda a sua vida esteve a serviço da causa de Jesus, o Reino, como mostram os Evangelhos.

Tanto no Batismo como na Ordem existe um sim fundamental que nos reporta ao sim de Maria: “O sim de Maria é a porta através da qual Deus pôde entrar no mundo, fazer-se homem. Assim, Maria está real e profundamente comprometida com o mistério da Encarnação, da nossa salvação... Assim, sacrifício, sacerdócio, Encarnação caminham juntos e Maria está no centro deste mistério”.[20]



III. MINISTÉRIO BATISMAL: DISCIPULADO E MISSÃO A EXEMPLO DE MARIA

1. Batismo como inserção em Cristo

O batismo acontece como resposta a uma proposta. Quando Deus em Jesus se torna manifesto a nós, devemos responder com a fé e sermos batizados. Este é o caminho conforme nos mostra os Atos dos Apóstolos (2,14-41). O kérigma é fundamental, é o que vem primeiro e gera a fé e, consequentemente, o batismo.

Com o batismo de crianças que se tornou a norma em nossa Igreja, perdeu-se muito do verdadeiro significado do batismo e suas consequências. A Igreja tem se empenhado para recuperar o kérigma como momento primeiro de proposta, chamado, anúncio de Jesus que fundamenta o batismo e a vida cristã, mas até hoje não tem conseguido. A V Conferência dos Bispos da América Latina em Aparecida ressalta a importância do Kérigma: “A iniciação cristã que inclui o kérigma, é a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e iniciá-lo no discipulado”.[21]

Ao ser batizado, recebe-se a vida nova em Cristo, a participação na vida de amor da Trindade. Incorporado à comunidade, participa do sacerdócio comum dos fiéis (sacerdote, pastor e profeta) e em contato constante com Cristo, o cristão vai se formando como discípulo em vista da missão. Ser ouvinte da Palavra, ser discípulo é o que é simbolizado no rito do batismo, quando o celebrante toca os ouvidos do que está sendo batizado, augurando que logo possa dedicar-se a ouvir a Palavra.

O Batismo é inserção em Cristo que é a Palavra de Deus Viva, a ser ouvida (discípulo) e anunciada (missão). O batismo tem muito a ver com o profetismo de Jesus, por isso Pedro no dia de Pentecostes, anunciando o kérigma, diz que chegou o tempo de todos profetizarem (At 2, 17-18). Os que são batizados assumem a missão profética de Jesus no mundo, missão que ele deixa clara ao falar na sinagoga de Nazaré (Lc 4, 18-20).

A mensagem distintiva do cristianismo é que o Pai estabeleceu que as palavras e as ações de seu Filho encarnado, cheio do Espírito Santo, sirvam como instrumentos privilegiados de sua justificação definitiva do mundo por meio da sua extensão na história (Igreja), até que chegue à nova criação. Assim o batismo pode ser visto como prolongamento do ato profético de Jesus em favor da vida e da justiça do Reino. “Concretamente, os batizados deveriam promover a procura dos direitos humanos, da justa distribuição, da justiça racial, da fraternidade internacional e da responsabilidade global, e deveriam fazer isso explicitamente em nome de Jesus, que é “justiça de Deus” (1Cor 1,30).[22]

A água batismal é sinal da vida nova em Cristo, porque a água dá vida; o batismo nos faz construtores do mundo novo da graça. Mas a água também tem força para matar, e assim no batismo morremos para o pecado e nos comprometemos em anunciar o fim do mundo do pecado. No rito do batismo a missão é sinalizada quando o celebrante toca os lábios do que está sendo batizado e almeja que ele possa logo anunciar a Palavra.



2. Maria: Discípula perfeita e missionária, paradigma para os batizados

Podemos relacionar Maria ao ministério batismal, percebendo como ela se tornou ouvinte da Palavra e ajudou os outros a se tornarem ouvintes também. Maria é aquela que sabe ouvir, é a grande ouvinte que “guardava tudo e meditava em seu coração” (Lc 2,19). Poderíamos falar muito sobre este aspecto do ouvir e do silêncio, como algo revolucionário na nossa vida de cristãos e no nosso relacionamento com Deus; penso ser desnecessário. Limito-me a transcrever o que dizem os bispos em Aparecida: “A máxima realização da existência cristã como um viver trinitário de filhos no Filho, nos é dada na Virgem Maria que, através de sua fé (cf. Lc 1,45) e obediência à vontade de Deus (cf. Lc 1,38), assim como por sua constante meditação da palavra e das ações de Jesus (cf. Lc 2,19.51), é a discípula mais perfeita do Senhor”.[23]

Maria discípula ouve a vida toda e ajuda os outros a ouvirem Jesus. Ao levar Jesus a Isabel que “sentiu” a presença do “seu senhor”, como em Caná quando recomenda que façam o que Ele diz, como no Cenáculo rezando com os apóstolos. Para Lucas, Maria é a mãe de Jesus (At 1,14). Mas por tudo que aconteceu no seu itinerário de vida, ela teve de se fazer sua discípula, de tal forma que aparece neste começo da Igreja como irmã entre os irmãos (At 1,15); no cenáculo, a comunidade dos discípulos de Jesus forma um grupo de irmãos e entre eles está Maria, colocando à disposição da Igreja nascente seus dons de oração e seu testemunho de fé.[24]

Podemos relacionar Maria com o ministério batismal de ser missionário, percebendo que Maria o foi, levando Jesus e anunciando pelo Magnificat o cumprimento das promessas de Deus (Lc 1, 46-56). Maria aqui é profetiza no sentido em que anuncia a seu modo a justiça de Deus. “Profeta é aquele que diz algo aberta e coerentemente, que tem algo a dizer com toda a sua vida, algo que só pode ser dito neste mundo por meio dele”.[25] Maria aí nos mostra que é a partir da fé e da aceitação de Jesus Cristo e sua missão em favor do Reino, que podemos assumir em nossa vida a missão de Jesus em sua dimensão libertadora no plano individual e social. “É para ela, pois, que a Igreja, da qual ela é Mãe e Modelo, deve olhar para compreender, na sua integridade, o sentido de sua missão”.[26]

Maria é a grande missionária, continuadora da missão de seu Filho e formadora de missionários, dizem os bispos em Aparecida. Ela, da mesma forma como deu à luz o Salvador do mundo, trouxe o Evangelho à nossa América, referindo-se ao acontecimento de Guadalupe. Por isso hoje, quando se quer enfatizar o discipulado e a missão, é ela quem brilha diante de nossos olhos como imagem acabada e fiel do seguimento de Jesus Cristo.[27]

A Igreja gera de modo virginal seus filhos nascidos da água e do sopro do Espírito Santo para serem discípulos e missionários. Aquilo que acontece em nós no batismo tem sua originalidade e sua força inicial no seio da virgem Maria. “Junto a toda fonte batismal da mãe Igreja, está a Mãe de Jesus”.[28]



IV. MINISTÉRIO SACERDOTAL: SERVIÇO E SOLIDARIEDADE EM UNIÃO COM MARIA

1. Sacerdócio ministerial: configuração a Cristo Servo

Neste ano sacerdotal que tem como tema “fidelidade a Cristo, fidelidade sacerdotal”, a reflexão sobre o sacramento da ordem é abundante, porém para lembrar a missão do sacerdote basta uma palavra: servir. O serviço foi idéia vital do concílio Vaticano II. Firmando-se na idéia bíblica fundamental de serviço, o concílio relembra aos cristãos aquilo que segundo as Escrituras é a atitude religiosa básica de Cristo, e que deve ser também a atitude de cada cristão perante seus irmãos e toda a família humana.[29]

O documento sobre a formação dos futuros sacerdotes deixa claro: “Saibam com muita clareza os candidatos ao sacerdócio, que seu destino não é o domínio nem as honras; ao contrário, deverão eles colocar-se inteiramente a serviço de Deus e do ministério pastoral”.[30] Habilitados pelo caráter e pela graça do sacramento da ordem, os sacerdotes como ministros de Jesus Cristo, se comprometam voluntariamente a servir a todos na Igreja. Enfim, o ministério sacerdotal foi instituído num contexto, a última ceia, onde Jesus encenou o lava-pés como recurso extremo para exortar e deixar claro qual o cerne do ministério apostólico na Igreja: o serviço em vista da solidariedade ou unidade de Deus com os homens e dos homens entre si.[31]

Se o presbítero deve configurar-se a Cristo, a forma humana de Cristo é a forma de servo: “Como subsistisse na natureza de Deus... despojou-se a si mesmo, tomando a condição de servo” (Fl 2,6). Servo, esta é a condição “incômoda” de vida, o modus vivendi do Verbo encarnado em vista de se fazer solidário com a humanidade em tudo, menos no pecado.

O serviço do sacerdote assim como o de Jesus Cristo tem como finalidade a realização “antecipada” do Reino na história, prolongando os gestos proféticos de Cristo. Mesmo havendo diferenças nos graus do sacramento da Ordem (bispo - supervisor, o presbítero - mais velho/superior e diácono - servidor), há um fio condutor que perpassa estas funções: o serviço. O que está fora do serviço é dominação e não pertence ao espírito de Cristo. O serviço exercido pelo sacerdote expressa-se de várias maneiras: no testemunho de pertença a Deus, na função de santificar, no anúncio da Palavra de Deus, na guarda do amor, na defesa da vida, na opção pelos pobres, enfim: no empenho pela justiça do Reino.[32]

Tem-se falado muito na “caridade pastoral” que é expressão da vida de serviço do presbítero à comunidade, no exercício de seu papel específico que é garantir a unidade da comunidade eclesial.[33] Porém, redescobre-se hoje a importante tarefa do sacerdote como mediador: “Uma tarefa importante do presbítero hoje é ser mistagogo, educador para a oração, mestre da oração. Ele não é realmente mediador entre Deus e os homens. Há um só mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5). Só ele é o mediador da Nova Aliança (Hb 8,6; 9,15; 12,24). O sacerdote pode, sim, participar dessa função, como, aliás, todo cristão ou cristã, e de modo particularíssimo Maria, Mãe de Jesus (cf. LG 60,1;62)... Ele é o paraninfo que leva a noiva ao noivo, como sugere Paulo (cf. 2Cor 11, 2). Ele não é o noivo, mas apenas o amigo do noivo...”.[34]



2. Maria: Serva solidária e mistagoga, paradigma para os sacerdotes

Se o amor-serviço é o fundamento da missão sacerdotal e seu exercício se dá na caridade pastoral que se desdobra em várias funções, podemos auferir que todas as funções sacerdotais têm relação com Maria.[35] Associada como mãe a Cristo redentor, Maria embora não participando do sacramento da Ordem, adquire missão com características sacerdotais e de oferta sacrifical, que estão em estreita relação com Cristo sacerdote.[36]

O sacerdócio de Cristo não era clerical, tanto Jesus como Maria foram leigos. O sacerdotal em Cristo pertence à sua realidade existencial e situa-se no nível da teologia, como o mostra a carta aos Hebreus, que tem como categoria de fundo o sacerdócio como mediação. Esta mediação do Cristo Sacerdote começa com sua existência terrena, culmina na cruz e permanece para sempre na sua existência de Ressuscitado glorioso.

“Maria e o sacerdote são ambos instrumentos de comunicação salvífica entre Deus e os homens, a primeira mediante a encarnação, o segundo mediante os poderes da ordem”, afirma Paulo VI,[37] aquela que está no ápice da economia da salvação “precede e supera o sacerdócio”.[38] O sacerdote está unido ao ministério de Cristo e, como Maria esteve associada à sua missão, ela o está também associada à ação ministerial de cada sacerdote. Por isso Maria é a mãe dos sacerdotes de modo especial.[39]

A Carta aos Hebreus propõe duas condições requeridas para ser sacerdote: fidelidade e compaixão (Hb. 3,1-5,10 ). Em Maria a fidelidade aparece de forma perfeita na sua adesão ao Plano de Deus manifestado em Cristo. Sua compaixão se expressa na sua união íntima a Cristo e associação à obra da redenção: estava junto à cruz. É claro que o único mediador é Cristo, mas em João a mediação de Maria junto a Jesus é destacada em texto muito concreto: o de Caná (2, 1-12). “Quando o episódio de Caná chega ao fim, Jesus já realizou o primeiro sinal, os discípulos crêem e Maria já está associada à hora de Jesus com missão e função concretas”.[40] Esta mediação está conectada também com a ação do Espírito Santo simbolizado na água. Maria tem relação com o Espírito que transforma a História e renova todas as coisas em ordem ao Reinado de Deus. Como ressalta João, uma das funções de Maria na Igreja é servir aos irmãos, conduzindo-os à fé: Maria leva à fé: é mistagoga.[41]

Assim a espiritualidade sacerdotal é essencialmente eclesial e mariana, porque brota do fato de ser o sacerdote, sinal pessoal de Cristo que está presente na Igreja, associando Maria à sua missão. Vivendo o mistério de Maria, entra-se mais profundamente no mistério de Cristo sacerdote.[42] Enfim, a maternidade de Maria deve ser compreendida não só no plano do afeto, como amor materno, mas também no plano de formar e educar para a vida, que é tarefa própria da mãe e que, na Igreja, é exercida de modo especial pelo ministro ordenado que chamamos de padre, “pai”.

Maria “mulher Eucarística”[43] ensina ao sacerdote a oferecer sua vida na Missa. Sobre o altar ele fará seu o sim com o qual Maria se ofereceu a si mesma na Anunciação, para ser a fiel colaboradora com a obra redentora de Cristo. Se Maria tem relação com a hora de nossa morte, como a invocamos na Ave Maria, não é somente porque é a hora mais angustiante, é também porque é a hora do nosso eterno nascimento para a vida definitiva. É o momento do parto em que a mãe Maria, primeira entre os redimidos, qual sacerdote, se faz presente para nos consignar à Trindade que nos acolherá como Pátria dos redimidos.



CONCLUSÃO

É evidente a partir das Escrituras o papel importante de Maria na História da Salvação: Jesus a associou à sua missão. Se Maria está associada a Cristo, está também associada à Igreja e nela tem presença destacada, pelo que podemos chamá-la de “Mãe da Igreja”, como o declarou solenemente o Papa Paulo VI no encerramento da terceira fase do Concílio Vaticano II: “Para a glória da Virgem e para o nosso consolo, proclamamos Maria Santíssima Mãe da Igreja, isto é de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores”.[44]

A força original do papel que Maria ocupa na Igreja brota da fé (sim) e do serviço (amor). Já ao ser apresentada no Evangelho (Anunciação), ela é aquela que acredita e, por amor, se coloca a serviço: “Eis a serva do Senhor...” A partir de sua Fé podemos ver nela o modelo dos batizados, que devem ser discípulos e missionários, entregando-se continuamente na adesão fiel ao seguimento de Jesus.

A partir de seu espírito de amor-serviço podemos ver nela um paradigma para os sacerdotes como mediadores: servidores da solidariedade entre Deus e os homens e dos homens entre si: “O Concílio Vaticano II convida os sacerdotes a olhar para Maria como o modelo perfeito da sua existência, invocando-a como Mãe do Sumo e eterno Sacerdote, Rainha dos Apóstolos, Auxílio dos presbíteros em seu ministério”.[45]

Minha alma engrandece ao Senhor porque Ele fez em mim grandes coisas e doravante todas as gerações me chamarão de Bendita (cf. Lc 1, 46-55). A canção libertadora de Maria segundo a tradição vétero-testamentária (Miriam, Débora, Ana, Judite), indica a nova ordem da criação, que é boa nova para os pobres e marginalizados da sociedade. Este é o cântico de Maria na assembléia dos batizados - discípulos e missionários - a Igreja, que por intermédio de seus ministros ordenados na sucessão dos apóstolos, proclama a Palavra e celebra a Eucaristia, tornando Jesus presente no mundo, assim como ela o fez.



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[1] DE FIORE, S., Mariologia, in FIORE, S. De – MEO, S., Dicionário de Mariologia, Paulus, S. Paulo, 1995, p.860. No diálogo ecumênico, já se fala de Maria com mais serenidade e muitos frutos bons aparecem cf: GRUPO DE DOMBES, Maria no desígnio de Deus e na comunhão dos Santos, Ed. Santuário, Aparecida, 2005, estudo realizado por um grupo ecumênico. O teólogo Karl Rhaner sugeriu que uma mariologia renovada terá de contar com teólogas para incorporar a experiência das mulheres. Este desafio tem sido aceito pelas mulheres, cf. RHANER, K., Mary and the Christian image of women, Crossroad, 1985, 217.

[2] CELAM - Documento de Puebla, n. 301

[3] Cf.: HINES, Mary, O que aconteceu com Maria?, Loyola, S. Paulo, 2007, 24.

[4] “Mesmo sendo distinta de Cristo e do Reino, a Igreja, todavia, está unida indissoluvelmente a ambos”, JOÃO PAULO II, Redemptoris Missio, n. 18

[5] URS VON BALTHAZAR, Maria nella dottrina e nel culto della Chiesa, p. 67, in J. RATZINGER- U. von BALTHAZAR, Maria Chiesa nascente, Paoline, Roma, 1981.

[6] MURAD A Maria toda de Deus e tão humana, Siquem/Paulinas, S. Paulo, 2004, 19.

[7] JOÃO PAULO II, Redemptoris Mater n. 51

[8] O Vaticano II deixa claro que a hierarquia e o ministério devem ser entendidos dentro do dado prévio da comunidade (cf. LG 18s), comunidade de salvação (LG 9), comunidade sacerdotal (LG 10-11) na qual o Espírito suscita diversidade de carismas e ministérios.

[9] BENTO XVI, Deus caritas est, n. 19

[10] VATICANO II, Lumen Gentium n. 9

[11] BINGEMER M. C., A vivência comunitária como imperativo da fé cristã, in CNBB, Igreja comunidade de comunidades, Ed. CNBB, 2009, 37.

[12] VATICANO II, Lumen Gentiun n. 61

[13] IDEM, n. 65

[14] CELAM, Doc. PUEBLA n. 290

[15] JOÃO PAULO II, Redemptoris Mater, n. 26 e 27.

[16] IDEM, Ibidem, n 26.

[17] LEAHY, B., O princípio mariano na Igreja, Ed. Cidade Nova, S. Paulo, 2005, 129.

[18] Cf. in FABER, E.M., Doutrina católica dos sacramentos, Loyola, S. Paulo, 2008, 46

[19]VATICANO II, Sacrosanctum Concilium n. 2 e 6; e 59

[20] BENTO XVI, Audiência geral, 12.08.2009 in L’Osservatore Romano, ed. em português n. 33 (2009) p.8.

[21] CELAM, Documento de Aparecida n. 288. É interessante notar que em 1965 houve um encontro latino-americano sobre pastoral de grandes cidades aí já se alertava: “Será necessário, contudo, investigar de que maneira o mistério pessoal, o kérigma, poderá provocar esta revelação, esta conversão, este encontro”, cf. CERIS/FERES, Pastoral de Grandes Cidades, (Cadernos de sociologia e pastoral), Ed. Vozes, Petrópolis, 1967, p. 125.

[22] ROSATO P. J., Introdução à teologia dos sacramentos, Loyola, S. Paulo, 1999, 59

[23] CELAM, Documento de Aparecida n. 266. “A reflexão teológica contemporânea sobre Maria concentra-se na discípula de Jesus que também é sua mãe”, COYLE, K., Maria na Tradição cristã, Paulus, S. Paulo, 2000, p. 139.

[24] cf. PIKAZA, X., Maria e o Espírito Santo, Loyola, S. Paulo, 1987, 46

[25] GRUM, A, Batismo, Loyola, S. Paulo, 2006, 25.

[26] Congregação para a Doutrina da Fé, Libertatis Conscientia, (1986) n.70

[27] Cf. CELAM, Documento de Aparecida n. 269-270

[28] RAHNER, H., Maria e la Chiesa, Jaca Book, Milano, 1991, 68.

[29] Cf. BEA, A Servir, idéia vital do concílio, seus fundamentos bíblicos, Paulinas, S. Paulo, 1971, 7. Entre os muitos mandamentos de Jesus está este de que os ministros do Novo Povo de Deus devem ser servidores. Não é conselho, é uma ordem que muitas vezes entendemos como sugestão: “O maior entre vós, seja vosso servidor” (Mt 23, 11).

[30] VATICANO II, Optatam totius n. 9

[31] IDEM, Lumen Gentium ,n. 1

[32] “Aquele que, como o sacerdote, guarda em si o fogo sagrado do amor, que não deixa a chama interior se apagar, contribui para que este mundo fique mais caloroso e vital, para que o amor no coração das pessoas não se apague e para que as pessoas sempre tenham algo que realmente as alimente” GRUM, A., Ordem,vida sacerdotal, Loyola, S. Paulo, 2006, 51

[33] Cf. CNP, Presbíteros do Brasil construindo a história – instrumentos preparatórios aos Encontros Nacionais de Presbíteros, Paulus, S. Paulo, 2001, 65. Nas páginas 290 a 310 estão delineadas cinco tarefas do presbítero a partir da idéia central do serviço.

[34] IDEM, p. 392-393.

[35] Cf. NAVARRO, M., Sacerdócio, Maria e sacerdócio de Cristo, in Dicionário de Mariologia, Paulus, S. Paulo, 1995, 1164-1178. A relação entre MARIA e o sacerdócio católico pode ser examinada na obra clássica de René Laurentin, Maria-Ecclesia-sacerdotium, Paris, 1952, p. 688ss.

[36] PIO X, Haurietis Aquas, AAS 36 (1903) 453.

[37] Audiência geral de 07.10.1974, citado por F. Franzi, Sacerdotes, in Dicionário de Mariologia, Paulus, S. Paulo, 2005, p. 1181-1182.

[38] PAULO VI, idem, Ibidem; cf. tb: L. M., CANZIANI, Maria Santissima e il sacerdote, E. Massimo, Milano,1954.

[39] Cf. VATICANO II, Optatam totius, 8; Presbyterorum Ordinis 18.

[40] PAULO VI, Idem,Ibidem, p. 1173

[41] Cf.: Maria mistagoga do Povo de Deus in DE FIORES S., Maria Sintesi di valori, storia culturale della mariologia, San Paolo, Torino, 2005, p. 492ss.

[42] VATICANO II, Lumen Gentium, 65

[43] JOÃO PAULO II, Ecclesia de Euccharistia, n. 53-58

[44] PAULO VI, Alocução em 21.11.1964; este título não é novo, tem raízes bíblico-patrísticas e no magistério recente da Igreja (Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII) e sobretudo no Vaticano II, cf. Lumen Gentium ns. 53-54; 61-69.

[45] BENTO XVI, Audiência geral 12.08.2009 (cf. nota n. 19), diz ainda o papa: “Efetivamente Maria tem predileção por eles por dois motivos: porque, são mais semelhantes a Jesus, amor supremo de seu coração, e porque também eles, como Ela, estão comprometidos na missão de proclamar, testemunhar e oferecer Cristo ao mundo”.








carmelo de Santa Terezinha





Postado por: James - www.espacojames.com.br em: 31/01/10 às 08:06:20 h.


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