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Artigo N.º 5155 - A DANÇA
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Postado em: 16/05/10 às 13:52:59 por: James
Categoria: Artigos Site Aarão
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No artigo anterior, onde focalizei o aspecto da mentira, não pude me conter e coloquei algumas fisgadas políticas para mostrar ao leitor que nosso governo não tem mais cura, porque afundado até no pescoço na lama da imundícia mentirosa. Tenho me contido, nos últimos meses, de comentar assuntos políticos de nosso país, porque a coisa é tão podre, mas tão podre que me parece que, quando afundo meus dedos no teclado para digitar letras neste sentido, tenho a impressão de estar sujando as mãos em esterco.

Mas uma coisa me fez traspassar e ir para além do meu espírito de contenção: foi ver uma deputada do PT, Ângela Gadagnin, dançando em pleno plenário da Câmara, após a votação venal que absolveu mais dois políticos corruptos – confessos: eles confessaram o crime, e mesmo assim foram absolvidos em plenário – num gesto de deboche, de escárnio, de mofa e de zombaria ao povo brasileiro. Se ela tivesse ido aos microfones e insultado verbalmente toda a nação, penso que não teria provocado efeito tão devastador. E, disse ela depois pedindo desculpas: foi um gesto espontâneo! O, também os asnos escoiceiam, espontaneamente. E este coice, acertou a nação em cheio!

     Ontem mesmo eu conversava com um petista doente, filiado ao partido, universitário, vacinado, e ele me dizia: depois disso, estou-me desfiliando do partido, e não quero mais saber de nada. Decididamente, não vale a pena, porque acaba respingando – aquilo – também na gente. Lembrei-lhe então que pela via da honestidade, hoje não se elege nem mais um vereador, sequer um presidente de sindicato, nem um síndico de prédio, sem que haja algum tipo de maracutaia, confabulação, defesa de grupo, espírito de corpo ou partidarismo nefasto, que eleva os interesses de alguns indivíduos, acima do direito das massas. Em tudo existe já o contágio pernicioso da mentira, do vício torpe, da podridão venal, da corrupção cada vez mais gritante, que enoja – quando não enfurece – mesmo ao cidadão desavisado, ou menos consciente. O governo está podre, e já cheira mal!

     Porque realmente, aquela dança maléfica, tão rebolante quanto gorda, foi além de qualquer força ou poder motivante da ira. Como se conter? Porque não irritava os quadris reforçados, mas o peso daqueles pés sobre a nossa cabeça. Esmagada pela zombaria e escarnecida. O eleitor bem consciente – mesmo o eleitor do PT – até ele, estava sendo ultrajado, esmagado por aquele sapateado. O riso dela também, era como uma cusparada veemente no rosto do cidadão, que já não suporta mais esta coisa de CPI, que se arrasta pelos lodaçais imundos da política nacional, há quase um ano.

     O que começa a nos parecer é que hoje, mesmo as forças políticas de oposição, mesmo as que tentaram preservar o nome do Ministro da Economia, e em especial do Presidente da República – porque temiam o descarrilamento do país – parecem estar se arrependendo de não terem desviado o rumo da crise na direção exata do grande peixe, do maior e do mais descarado responsável por tudo isso: o próprio presidente, pelo cargo que ocupa e pela responsabilidade maior que carrega diante do povo que o elegeu. É ele o responsável maior por esta crise toda, porque sem dúvida TUDO se realizou com pleno conhecimento e com a total concordância dele. E se não foi, ele na realidade merece outro nome, outro título de... – e o leitor sabe qual é – menos o de presidente.

     De fato, se tudo aquilo não se realizou com o pleno conhecimento, a concordância e a conivência dele, então estamos sendo governados por um incapaz. Ora, se eu sou o dirigente de uma empresa, sou também o responsável maior por tudo aquilo que os meus comandados fazem. Se eles agirem errado ou fora das minhas diretrizes e normas, compete a mim, imediatamente tomar providências normais e jurídicas a fim de preservar o bom nome da minha empresa e a integridade do meu negócio. Disso, não se furta nem o Zé, do bar da esquina, que vende cachaça. Como então o presidente de uma nação se furtará a esta responsabilidade maior? E se se furtou, por quê? Porque ele seria o alvo!

     O grande medo dos opositores foi realmente que o país pudesse desandar com mais um impeachment de presidente – porque este merece mais que elle, o “outro” – com a economia indo a pique, e a inflação retornando. Mas, desde o início, para mim pareceu um excesso de preocupação e um erro grave, porque nenhum poder subsiste por muito tempo na mentira. Como disse no outro texto – e esta é uma verdade clara sobre este governo – quando uma pessoa mente uma vez, se obriga a inventar uma cadeia infindável de mentiras ou desculpas esfarrapadas, para sustentar a primeira.

     Hoje, da forma como estão as coisas em Brasília, no Palácio e no Congresso, nós os cidadãos temos o direito de pensar alto e dizer qualquer coisa. Porque nos mentem o tempo todo, uma mentira para encobrir a outra. Se um conselho de ética, reunido por meses a analisar documentos chega a conclusão de que um deputado deve ser cassado, então o plenário, deve se curvar diante das evidências, ou faz de burros seus colegas. Mas a mentira é tanta, que até o outro que pensavam preservar, o Ministro da Economia, agora é também defenestrado porque participava da orgia – falo não das meretrizes já comuns nas festas – mas da divisão dos lucros resultado da roubalheira generalizada.

     Eu peço perdão aos eleitores deste partido do senhor presidente, mas lembro antes de tudo que recentemente um dos cardeais do Vaticano lembrou com toda a clareza, que “nenhum católico que se mantenha filiado a um partido que apóie a causa do aborto, ou que vote nele, poderá ir a Eucaristia, sem confessar-se porque está em falta grave”. Aliás, isso implica em pecado continuado, que até impede a própria absolvição na confissão. Ou seja, a própria confissão se torna sacrílega, porque a pessoa deve antes abjurar de seu erro, se desfiliando de tal partido e deixando de votar nele. Ou seja, trata-se de algo gravíssimo, que é cometido por milhões de brasileiros.

     E eu não poderia ignorar tal fato deixando de mencioná-lo aqui, até porque sei que a maioria dos eleitores que o elegeu, achou estar fazendo uma boa coisa para o país. Afinal, ele havia tentado tantas vezes e muitos votaram por aquele ditado: “pior não pode ficar”. Mas ficou! Eu já mostrei, em poucas letras, que não houve realmente nenhuma conquista de fundo deste governo, algo que pudesse melhorar a vida futura da nação. Porque tudo nele é divorciado de Deus, é longe de Seus régios princípios. Tudo o que aconteceu foi fruto das bases já existentes, nada por força de atos bem sucedidos atuais. Se o mundo, afinal, não caminhasse em paz financeira, aqui também desandaria em caos.

     Na realidade, a única arma econômica usada pelo atual governo, para conter a inflação, é a taxa de juros. Foi mantendo as taxas nas estratosferas, coibindo qualquer tipo de investimento de longo prazo. Na verdade, a inflação do Brasil está goelada pelo escandaloso monstro dos juros. Mas isso tem seu preço, sempre, em sangue, suor e em lágrimas; e quem paga esta conta é sempre o povo sofrido. Este é um verdadeiro escândalo nacional, que faz os banqueiros rirem à toa, ao tempo em que as casas bancárias se esbaldam no maior e mais assombroso lucro da história deste país. Nenhum presidente poderá se orgulhar disso, antes deve cantar um réquiem para a nação. Devem se esconder – ele e seu Ministro da Economia – se ainda lhes restar algo de vergonha.

     Nenhum governo da terra pode – impunemente e por muito tempo – se gloriar do aumento da arrecadação de tributos. Mas este faz isso: celebrar com vinhos finos e caros, os sucessivos recordes de arrecadação, mês a mês, sem se preocupar com o outro lado, o lado que paga, e principalmente, sem se preocupar com os benefícios que devem resultar desta arrecadação. Todo governo que se preze, deve antes de tudo, se gloriar de administrar bem os escassos recursos de que dispõe; esta a regra número um da economia, e a meta maior de todo bom administrador. Porque quanto mais ele produz com menos, maior será efeito positivo adiante, porque, ao contrário, um dia a corda arrebenta. E a corda do Brasil vai arrebentar, também.

     O que está acontecendo é que os sucessivos recordes de arrecadação estão sendo desviados para a política paternal assistencialista, a qual nenhuma nação da terra que se preze, poderá programar por largo tempo. Pode acontecer em períodos de grave escassez, mas nunca em períodos de fertilidade, paz e progresso. E sempre, e somente, até que cesse a grave crise, nunca por períodos infindáveis. Nestes casos, deve-se buscar com toda tenacidade o pleno emprego, onde o cidadão pode encontrar espaço no mercado de trabalho, de onde tirará o sustento de seus filhos. Isso, aliás, é algo inerente à pessoa humana, até porque está dito: do suor de teu rosto, tirarás o pão de cada dia! 

     Estes programas então, de assistencialismo paternalista – e comunista – são de fato um câncer e uma sanguessuga da nação, porque desviam recursos para fundo morto e perdido. Seu efeito é o mesmo efeito maldito de uma guerra, como a que os Estados Unidos faz contra o Iraque. O efeito disso é devastador para a economia, porque é um saco sem fundo. Como os gastos de guerra dos EUA, tudo aquilo que aqui se gasta com este paternalismo irresponsável, insano e continuado, é sangue que verte das veias da nação e que some sem provocar nenhum efeito de retorno, um benefício. Nenhum país da terra tem recursos sobrando para se dar a este luxo. Menos ainda o nosso.

     A miséria e a fome não se combatem dando comida eternamente, mas sim dando aos pais de família, as condições dignas de sustentarem seus filhos. E isso se faz com empregos e salários. Dando a estes filhos, em especial aos moços, o direito ao emprego onde possam formar sua base de vida e financeira. Nenhum pai, nenhuma mãe, no fundo de si, gosta – porque isso seria negar uma condição inata do ser humano – de ser sustentado como vadio, o tempo todo. Ai do povo que perder este sentimento. No fundo esta esmola é degradante, porque não conseguindo suprir, no todo, o necessário a uma vida digna, é como um tapa na cara das pessoas. Este procedimento avilta o homem e degrada a nação. Mentira que isso é distribuir renda: é sim para angariar votos cabresto! 

     O grande risco que se corre é criar uma estirpe, uma raça de cidadãos, acostumados a viverem sem trabalho, se achando no direito eterno de serem sustentados pelos que de fato produzem. E é isto que está acontecendo. Não é somente um perigo imediato, mas um perigo de longo efeito, na medida em que estes mesmos cidadãos passem a buscar ampliação de seus pseudodireitos, exigindo cada vez mais mordomias da parte da sociedade produtiva. E passem a quebrar tudo caso não ganhem. Não resta dúvida que compete aos que ganham mais, repartir com os menos favorecidos aquilo que lhes sobra – isso vem de Deus – entretanto, tal não se faz pela via do paternalismo irresponsável – que não vem de Deus – como faz nosso governo e sim pela via normal: por mais e melhores empregos e por mais e melhores salários. Dá-se o justo a quem produz com prodigalidade, jamais o ganho indevido, a quem nada produz e somente suga, senta, come e dorme.

     E, neste sentido, simplesmente não existem medidas governamentais de longo alcance. Na realidade, este ministro que tanto tentam preservar, simplesmente sentou-se em cima da pilha das altas e proibitivas taxas de juros – obviamente segurando com isso a inflação – enquanto seu chefe barbudo se esbalda em contratações ao serviço público, ampliando ainda mais a já podre e carcomida máquina federal em seus quadros, na imensa maioria já sucateada e improdutiva, pensando que com isso resolverá o problema do emprego. Isso é aumentar o número das tetas da vaca, sem perguntar quem vai trata-la. Vejam os números e as estatísticas que se veiculam por aí na imprensa.

     Já citei – e o país inteiro cobra isso – a questão dos prometidos 10 milhões de empregos. Lembro das mirabolantes frases de efeito do presidente em campanha, onde afirmava que, “no fim, teria feito até o impossível”. Entretanto, o que vemos de impossível, é ele cumprir sequer a metade desta promessa, o que se verifica um desastre para nosso país, que precisa no mínimo 2,5 milhões de empregos por ano, para manter o nível de emprego e encampar a juventude ociosa – e ansiosa – por trabalhar. Por ganhar seus sustento e sair da inércia, das drogas, do crime e do roubo. Sem dúvida este um dos maiores motivos dos elevados índices de delinqüência juvenil de hoje: a falta do que fazer!

     Ora, como que um governo, que está ocupado até a raiz em mentir, em se defender dos desmandos de suas hostes e da roubalheira de seus quadros – em nome da república estalinista brasileira e da farra dos malditos contratos de publicidade – poderá pensar em empregos para a juventude? E para que se preocupar com isso, se por outro lado a plebe ignara não se dá conta de que está posta – também ela – no cadafalso e que vai à ruína? Na realidade, o imenso e diabólico gasto com publicidade do governo deste presidente, teve não somente o efeito de desviar recursos para os cofres da futura nação stalinista, mas tenebrosamente enganar e iludir o povo com falsas estatísticas de prosperidade, quando na realidade, dentro da raiz o verme corrói, o cancro se instala, a peste ronda. 

     Não é preciso ter mente privilegiada para perceber isso, nem ser gênio ou bruxo ou pitonisa para antever o caos. Na realidade, tudo isso não tem mais cura. Existe no fundo, já bem instalado, já humanamente impossível de extirpar, um veneno mortal chamado “direito adquirido”, que hoje, no mundo inteiro, lança um grito de rebelião: hoje só existem direitos; fora com as obrigações! Por este “direito” às avessas – porque pretenso e falso – não se admitem diminuição de ganhos, nem mesmo em situações de crise e de miséria. Isso é algo tão nefasto, quanto – na outra ponta – o excesso de ganho de alguns poucos, em detrimento da miséria degradante e amaldiçoada de milhões.

     Ora, a economia, tanto nacional como mundial tem ciclos. E tanto numa empresa – como num governo em si – existem tempos bons e ruins. Existem épocas de crise e de fartura. Os índices econômicos – mal ou bem, mentirosos ou não – logo detectam estes efeitos; entretanto o comportamento geral é sempre pelo mais alto, pelo mais expressivo, e ninguém se submete ao cabresto da necessidade. Ninguém arreda o pé de seus direitos, mesmo que a falência esteja às portas. Isso acontece amiúde com as empresas, e não discuto aqui a má gestão, apenas o comportamento da máquina que gera os recursos.

     No Livro do Êxodo, lemos aquela célebre passagem onde José previu ao Faraó os sete anos de fartura que se seguiriam a sete anos de miséria. A Sabedoria do Alto o instruiu então, a armazenar no tempo de fartura para suprir a falta na escassez. E bem gerenciados os recursos, tudo deu certo. Mas aqui em nossos governos, o que acontece é que todos se comportam, sempre, como se o mundo fluísse sempre em regime de fartura e eterna prosperidade – tempo em que todos esbanjam recursos – mas, todos, querem continuar recebendo a mesma coisa – sobrevindo o tempo da miséria – isto é, os mesmos altos ganhos do tempo anterior, o que é impossível. Nunca, jamais dará certo! Burrices administrativas do homem, que se distancia sempre mais dos caminhos de Deus.

     Pois ninguém, absolutamente ninguém, se dá ao bom senso de ceder – falo daqui dos grupos econômicos, também dos sindicatos de categorias, e falo do próprio governo, e também dos próprios cidadãos – pelo efeito da sabedoria administrativa, se permitindo receber menos nos tempos magros. Isso é um contra-senso, um absurdo, que leva a dois desastres: primeiro, ao endividamento das empresas, também dos governos – porque se obrigam a continuar pagando o impagável em tempos de vacas magras – e segundo, a explosão das taxas de juros, para alegria dos bancos, esta hera parasita que se instalou no seio da sociedade e suga até a alma das gentes.

     Resultado: ninguém aperta os próprios cintos, nem na época de prosperidade, nem na época de escassez. Esta matemática do absurdo adentra os lares, abate as famílias e derruba aos indivíduos, conduzindo tudo ao endividamento. Ninguém, em sã consciência, pode gastar indevidamente – menos ainda eternamente – mais do que arrecada. Somente o ex-perdulário ministro Delfim Neto – que por conta disso deveria estar na cadeia – é que dizia assim: dívida não se paga, se rola! E tanto ele rolou que os governos militares aumentaram em mais de 27 vezes o valor da dívida externa, coisa que ainda hoje arranca a alma do nosso povo. Nós pagamos e o Delfim deita e rola! E dá palpites econômicos, quando deveria estar junto com o Fernandinho.

     Porque faço esta explicação: porque com certeza plena – embora adversário ferrenho desde o início – eu torci realmente que este partido e seu presidente cumprissem com o prometido, porque o papel deles trazia impresso um monte de belas promessas. Mais que isso, eu esperava que eles realmente promovessem as reformas nas bases e nas leis que regem uma nação que preza seu futuro, derrubando todas as estruturas podres, exatamente aquelas que exigem e cobram o direito adquirido, mas não se importam com a ilegalidade da “vantagem imoral”, falo daquela que vai além da impossibilidade de pagamento, motivada pela cegueira e pela bestialidade dos que a exigem.

     Vejam, nas nações ricas como a Suécia e a Finlândia, onde o pagamento dos cidadãos é medido pela produtividade da pátria, e onde o cidadão recebe a devida compensação em termos de benefícios sociais, relativas aos impostos que paga, ali a média entre o ganho de um alto funcionário e o de menor escalão, não passa de 20 vezes. Entretanto, entre o salário mínimo da maioria do povo – no Brasil – e o salário agora auto-atribuído pelo pessoal do governo, de mais de 24 mil reais, a diferença é de mais de 80 vezes. E não é a Suécia quem está errada. Mas onde está um único gesto deste governo em corrigir esta terrível distorção? Nada, absolutamente nada é feito para diminuir esta perversidade, antes se faz tudo em prol dos bancos, das financeiras, e dos exploradores internacionais.

     Dos males o menor, dos roubos o menos escandaloso, dos escândalos o menos perverso, se eles tivessem dilapidado toda esta fortuna do “mensallão”, comprando os deputados para que votassem pela derrubada da podridão do país, para derrubarem as leis malignas que contemplam apenas direitos e não – antes – obrigações mais do que proporcionais, pelo menos teriam uma justificativa: foi para o bem geral da nação! Mas desta forma, tendo sido antes para levar a nação mais ainda ao caos, foi repugnante, e digno do repúdio geral. Aparentemente, quando se viram cercados por esta montanha de arrecadação, sentiram-se no direito de exorcizar todas as misérias e os anos de vacas magras em busca do poder, roubando para compensarem o tempo perdido. Como se dissessem avidamente: vamos tirar nossa parte, antes que o país exploda! A dança da deputada nos deu este recado: que se lixe o povo! Dancemos sobre sua cabeça!

     O resultado é que temos aí uma máquina administrativa ineficiente, inchada e podre, que se tornou inadministrável, verdadeira massa falida; basta ver o prejuízo mensal da previdência pública, também a privada, que não consegue honrar os “direitos adquiridos” por gerações de dilapidadores do erário público. Por pessoas insanas – falo de cidadãos que se acostumaram assim por causa da tortuosa lei – que nunca, jamais, pensaram no bem comum, até porque vastas porções das classes aposentadas do setor público deste nosso país, jamais poderão olhar para dentro de seus olhos e sentirem que foram de fato trabalhadores produtivos, merecedores de suas altas aposentadorias... Quando se as compara com os quase 70% da população que vive na miséria absoluta e degradante. E o mesmo se diz do pessoal da ativa, que ganha dezenas de vezes mais em média que o cidadão comum. Isso é uma injustiça clamorosa, e uma conta impagável!

    O PT foi o primeiro partido a governar este país, que teve – não tem mais nem nunca mais terá – nas mãos a chance de mudar radicalmente esta situação, até porque, nos tempos em que eles foram oposição, jamais permitiriam que se cedesse em algum direito, mesmo que pretenso e falso, e mesmo nos momentos da mais grave crise nacional. Nunca, neste país, ninguém apertou o seu cinto, nem nas épocas de vacas magras. O resultado, antigo, foi a monstruosa inflação que canalizou para os bolsos dos ricos, em poucos anos, mais de metade dos bens deste país. O resultado atual é esta extorsão alucinada das casas bancárias e das financeiras, que explodiram em altos ganhos, e que fazem hoje a festa da loucura, regada a sangue e suor do povo cordeiro... O brasileiro!

     Eles de fato perderam a chance, rara ou única, de fazer primeiramente a reforma da previdência social, criando um regime único e garantindo a aposentadoria apenas para valores até o limite de isenção do imposto de renda. Acima disso, todos deveriam arcar com suas despesas previdenciárias, recorrendo aos sistemas de previdência privada – até internacionais se aqui não houvesse casas fortes e dignas – e neste sentido deveria haver uma ruptura quanto aos atuais salários elevadíssimos do setor público. Não existe outra forma de resolver a crise a não ser alguém perdendo, para que no futuro, as gerações ganhem e vivam. Que fizeram eles: um remendo pavoroso, um arremedo, porque viram que se contradiriam se mexessem nas vantagens imorais que tanto defenderam antes.  

     Perderam a chance de fazer uma reforma tributária eficiente, diminuindo os impostos do cidadão, e principalmente definindo parâmetros de aplicação e obrigando o governo a gastar dentro de certos limites; e pondo na cadeia quem é perdulário e malversador do bom, raro e caro dinheiro público. Os fazedores de contratos de publicidade. Mas continua ai esta máquina podre, que sabe somente a primeira parte: arrecadar! No outro lado, a engrenagem está emperrada, porque não interessa fazê-la funcionar. E assim vai com a reforma política: só remendo! E viva os bancos! 

     E realmente, com certeza existe conivência do governo quando se permite aos bancos extorquirem na nação desta forma descarada. Verdadeira festa dos parasitas, que não precisam se preocupar em emprestar dinheiro e a concorrer entre si para – com juros apropriados – alavancarem os seus negócios, e a nação. Primeiro, porque as altas taxas que eles cobram para administrar as contas são mais que suficientes para cobrir todos os seus custos e com folga, o que lhes permite deitar e rolar. Se, além disso, ganham por decreto o direito a altas taxas de juros, por qual motivo irão pensar no povo ou na felicidade geral da nação? Nunca farão isso! Dane-se o povo! Exploda o Brasil!

     Infelizmente, como ontem ainda eu comentava, o corrupto é o cidadão. Digo, com todas as letras: todo aquele que observou os movimentos deste governo nos últimos três anos, com suas maracutaias, a malversação dos fundos públicos, a tentativa desesperada de encobrir o mensalão – e agora absolvendo os deputados, sinal de que o mensallão deve continuar funcionando – com a maligna iniciativa de inocentar e de isentar o presidente, não se importando para isso em mentir, falsear, subverter, esconder documentos e furtar provas, quebrar criminosamente o sigilo bancário, e que ainda lhe continua fiel, é cego. 

     Neste cenário atual, noutro dia me fiz a seguinte pergunta: que aconteceria neste país se por acaso os papéis se invertessem: se o governo voltasse para a oposição, e fossem eles a combater os atos de corrupção deste governo. Se o senhor Presidente, ao invés de pilotar seu jatinho – entre uma garrafa de vinho importado e outra – estivesse a pilotar o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo – entre uma garrafa de cachaça e outra – vendo a corrupção instalada no governo, que aconteceria? Podem ter certeza plena de que já o presidente teria sido cassado e a loucura estaria instalada. O país estaria incendiado, com o povo nas ruas e novamente as “caras pintadas” invadindo a televisão.

     Como eles são os governantes hoje – os antigos moralistas gritadores da oposição – vale hoje o espírito de corpo que os protege, e vale a dança... Agora roubalheira é valentia! Corrupção é não é mais velhacaria. Mentira não é mais crime e sim ato digno de louvor. Dançar sobre a cabeça do povo é ato de espontaneidade. Neste cenário, não é nem de estranhar que a deputada dance sobre nossas cabeças, e que ela faça isso até sangrar, pois quem sabe, quando correr mais sangue neste país – pois já correu em certas prefeituras – que acordem alguns de direito e se restabeleça a seriedade no trato da coisa pública. Porque o que estamos vendo hoje em Brasília, já ultrapassou as raias venalidade. 

     Fosse o Brasil uma França e nesta hora aquele Congresso que salva a pele de réus confessos, e absolve culpados que já foram condenados formalmente pelas CPIs, estaria sendo invadido por cidadãos iracundos, e teria suas estruturas de concha e de gamela dinamitadas. Concha de proteger culpados, gamela de arrecadar propinas. Mas, cuidado! Há um dedo em riste no meio, e neste dedo está um alerta que pode vir do Alto. De fato, Deus é Quem constituiu todos os governos – vieram pela vontade Dele – mas o mesmo Senhor que os coloca, também os tira; a história é pródiga em exemplos. 

     Então, aquela concha e aquela gamela podem não somente afundar no lago, pelo peso de seus atos nefandos, ou das gordas danças de pizza, mas podem levar junto, a algumas centenas de deputados, de senadores e de absolvedores de réus confessos. E elas podem levar junto quem mora naquela casa ao lado, a da rampa, que fica perto de um pequeno lago. E também aqueles da casa onde se fazem festas e farras para dividir lucros e propinas, eles e as “meninas”... Ai de quem não souber nadar!... Se der tempo!
 
Arnaldo


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