Espacojames


Página Inicial
Listar Artigos




Artigo N.º 3399 - O PAPA NA TERRA DE JESUS
Artigo visto 2227




Visto: 2227
Postado em: 20/10/09 às 21:40:36 por: James
Categoria: Artigos
Link: http://www.espacojames.com.br/?cat=1&id=3399
Marcado como: Artigo Simples
Ver todos os artigos desta Categoria: Artigos

A oliveira plantada com o Presidente de Israel, o Memorial da Shoah, o muro divisório, o Santo Sepulcro... As imagens relevantes da viagem do Papa, relatada e interpretada por Ele.

Iniciou a sua viagem no Monte Nebo lembrando “o vinculo inseparável que une a Igreja com o povo judeu” e exprimindo “o desejo se superar todo obstáculo que se interpunha à reconciliação entre os cristãos e os judeus”.

Concluiu a viagem aos 15 de maio no aeroporto de Tel Aviv, de novo com o lema desta proximidade entre os dois povos.

Ao cumprimentar o Presidente de Israel, antes de partir para Roma, Bento XVI desejou reforçar que a planta de oliveira plantada pelos dois juntos no jardim do palácio presidencial é “a imagem usada por São Paulo para descrever as relações estreitíssimas entre cristãos e judeus”. A Igreja dos cristãos é a oliveira selvagem enxertada na oliveira boa que é o Povo da Aliança. Nutrem-se da mesma raiz.

Curiosamente, no seu discurso final, esta imagem da oliveira judeu-cristã foi a primeira recordada por Bento XVI ao por em relevo os momentos da viagem que “mais o impressionaram” interiormente. A esta imagem Ele fez seguir outras das instantâneas destacadas: o memorial de Yad Vashem e o muro divisório entre Israel e os Territórios.

Ambos os momentos tinham suscitado críticas ao Papa. Em Yad Vashem foi reprovado por ter sido evasivo e frio ao descrever e condenar a Shoah, quando na realidade Bento XVI – apolítico como sempre – se tinha destacado das fórmulas usuais, para desenvolver, com uma reflexão original e profunda, própria da sua capacidade intelectiva, o conceito sobre o “NOME” de todas as vitimas de então e de sempre, desde o tempo de Abel. Nome indelével, não tanto porque estão impressos na memória dos homens, mas porque estiveram em vida irrevogavelmente custodiados por Deus. Nome que na Bíblia coincide com a pessoa e a missão de cada criatura.

Sobre este ponto, no discurso final Papa Ratzinger respondeu de forma implícita, mas claríssima, aos críticos, lembrando a sua visita em 2006 em Auschwitz, “onde tantos judeus – mães, pais, maridos, mulheres, filhos, filhas, irmãos, irmãs, amigos – foram brutalmente exterminados sob um regime sem Deus que propagava uma ideologia de anti-semitismo e ódio. Aquele espantoso capítulo da história jamais deve ser esquecido e negado”. Mas, sobretudo, o Papa quis encorajar e obter da reflexão sobre a Shoah um motivo a mais para apaziguamento entre os cristãos e os judeus, recorrendo novamente ao símbolo da oliveira: “Aquelas escuras recordações devem reforçar a nossa determinação de aproximarmos ainda mais uns aos outros como ramos da mesma oliveira, nutridos pela mesma raiz e unidos no amor fraterno”.

Quanto ao muro que divide Israel dos Territórios, a crítica que muitos judeus fazem a Santa Sé é de descuidar da finalidade da barreira que é de segurança, contra as incursões terroristas e de ser mais favorável aos palestinos que aos israelitas. No seu discurso final o Santo Padre se expressou assim, a respeito desse tema: “Umas das visões mais tristes para mim, durante a minha visita a estas terras, foi a vista do muro. Enquanto o rodeava de perto, rezei por um futuro no qual os povos da Terra Santa poderão viver juntos, em paz, harmonia, sem a necessidade de semelhantes instrumentos de segurança e de separação, mas respeitando-se e confiando uns nos outros, renunciando a toda forma de violência e agressão”.

Dizendo assim, Bento XVI reconheceu de um lado as aflições que a barreira inflige ao povo palestino, porém de outro lado reconheceu explicitamente também a sua natureza de “instrumento de segurança” para Israel. E convido a todos para que este muro possa cair, para conjugar segurança e respeito recíproco, como Ele mesmo tinha feito em 11 de aio em Jerusalém, durante a plantação da Oliveira no palácio presidencial, refletindo sobre o duplo significado da palavra bíblica “betah”. Ademais, sempre no discurso final no Aeroporto de Tel Aviv, ao invocar o fim da guerra e do terrorismo e no auspiciar um “two-State solution” o Papa ressaltou a necessidade de que “seja reconhecido universalmente que o Estado de Israel tem o direito de existir e gozar da paz e da segurança entre os confins internacionalmente reconhecidos”. Com este gesto o Papa Ratzinger foi ao encontro do pedido que o primeiro ministro israelita Benjamim Netanyahu lhe tinha pedido no dia anterior em Nazaré, em um diálogo a portas fechadas: aquela de condenar as posições negacionistas do Irã acerca do Estado de Israel.

Aqui em seguida reproduziremos o discurso com o qual Bento XVI encerrou a sua viagem à Terra Santa em 15 de maio.

Desde o início o Santo Padre insistiu em proclamar em todos os lugares pelos quais passou, que fora de Jesus “não há debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devemos ser salvos”. Estas palavras não são somente uma citação da “Dominu Iesus”, a declaração sobre “a unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja” emitida no ano 2000 pelo então Cardeal Joseph Ratzinger e criticada por muitos judeus. Mas é a pregação de Apóstolo Pedro, no capítulo quarto dos Atos dos Apóstolos. E hoje do seu sucessor.

A todos que estão sofrendo na terra que foi de Jesus, sejam eles judeus ou árabes, cristãos ou muçulmanos, Bento XVI quis deixar um legado na frente vazia da tumba do Ressuscitado: “A tumba vazia nos fala de esperança, a mesma que não nos desilude, porque é dom do Espírito da vida. Esta é a mensagem que hoje desejo deixar-vos na conclusão da minha peregrinação na Terra Santa”.

Discurso de despedida no aeroporto de Tel Aviv, em 15 de maio de 2009
por Sua Santidade o Papa Bento XVI

Senhor Presidente,
Senhor Primeiro-Ministro,
Excelências, senhoras e senhores,
Enquanto preparo-me para retornar a Roma, quero partilhar com vocês algumas fortes impressões que tive durante minha peregrinação à Terra Santa. ....
Senhor Presidente, o senhor e eu plantamos uma oliveira em sua residência no dia em que eu cheguei a Israel. A oliveira, como sabe, é uma imagem usada por São Paulo para descrever a proximidade das relações entre cristãos e judeus. Paulo descreve em sua Carta aos Romanos como a Igreja dos Gentios se parece com um rebento de oliveira selvagem, enxertada na oliveira cultivada que é o Povo da Aliança (cf. 11, 17-24). Somos nutridos pelas mesmas raízes espirituais. Encontramo-nos como irmãos, irmãos que muitas vezes em nossa história tiveram um relacionamento tenso, mas agora estão firmemente comprometidos a construir pontes de amizade duradoura.
A cerimônia no Palácio Presidencial foi seguida por um dos mais solenes momentos de minha estada em Israel – minha visita ao Memorial do Holocausto no Yad Vashem, onde eu prestei meus respeitos às vítimas da Shoah. Lá eu também me encontrei com alguns dos sobreviventes. Aqueles encontros profundamente comoventes me trouxeram memórias de minha visita três anos atrás ao campo da morte de Auschwitz, onde tantos judeus – mães, pais, esposos, esposas, filhos, filhas, irmãos, irmãs, amigos – foram brutalmente exterminados sob um regime ateu que propagou uma ideologia de anti-semitismo e ódio. Esse triste capítulo da história nunca deve ser esquecido ou negado. Pelo contrário, aquelas memórias obscuras devem fortalecer nossa determinação em estarmos mais próximos uns dos outros como ramos da mesma oliveira, nutridos pela mesma raiz e unidos no amor fraterno.
Senhor Presidente, agradeço-lhe pela calorosa hospitalidade, que é grandemente apreciada, e desejo deixar gravado que vim visitar esse país como um amigo dos israelenses, assim como sou um amigo do povo palestino. Amigos gostam de passar o tempo na companhia um do outro, e é para eles profundamente penoso ver o sofrimento um do outro. Nenhum amigo dos israelenses e dos palestinos pode deixar de se entristecer pela contínua tensão entre seus dois povos. Nenhum amigo pode deixar de chorar pelo sofrimento e a perda de vidas que ambos os povos tem suportado ao longo das últimas seis décadas. Permita-me fazer esse apelo para todo o povo dessas terras: Não mais derramamento de sangue! Não mais conflito! Não mais terrorismo! Não mais guerra! Ao contrário, quebremos o ciclo vicioso da violência. Que haja paz baseada na justiça, que haja uma reconciliação e cura genuínas. Que seja universalmente reconhecido que o Estado de Israel tem o direito de existir, e de gozar da paz e da segurança, com fronteiras internacionalmente aceitas. Que da mesma forma seja reconhecido que o povo palestino tem  direito a uma terra independente e soberana, para viver com dignidade e viajar livremente. Que a solução dos dois Estados torne-se uma realidade, não permaneça no sonho. E que a paz se espalhe para fora dessas terras, que sirva como uma “luz para as nações” (Is 42, 6), levando esperança para muitas outras regiões que são afetadas pelo conflito.
Uma das visões mais tristes para mim durante minha visita a essas terras foi o muro. Enquanto passava por ele, eu rezei por um futuro no qual os povos da Terra Santa possam viver juntos em paz e harmonia sem a necessidade de tais instrumentos de segurança e separação, mas, ao contrário, respeitando e confiando um no outro, e renunciando a todas as formas de violência e agressão. Senhor Presidente, sei como será difícil alcançar esse objetivo. Sei que é uma tarefa muito difícil para o senhor e a Autoridade Palestina. Mas asseguro-lhes que minhas orações e as orações dos católicos em todo o mundo estão com vocês enquanto continuam seus esforços por construir uma paz justa e duradoura nessa região.
Resta-me apenas expressar meus sinceros agradecimentos a todos que contribuíram de tantas formas para minha visita. Ao Governo, aos organizadores, aos voluntários, à mídia, a todos que providenciaram hospitalidade para mim e os que me acompanharam, estou profundamente grato. Por favor, estejam certos que vocês são lembrados com afeição em minhas orações. A todos vocês, eu digo: obrigado, e que Deus esteja com vocês. Shalom!

 


Pe. Eugenio Maria, FMDJ
www.mosteiroreginapacis.org.br
http://rainhadapaz.blog.terra.com.br/



Ajude a manter este site no ar. Para doar clique AQUI!

LEIA TAMBÉM
O CASO MEDJUGORJE: NÃO EXTINGUIR O ESPÍRITO
Kamikaze e martírio cristão
COMO O DEUS DINHEIRO ENGANA OS HOMENS
“Caritas in Veritate”: Páginas seletas
A LECTIO DIVINA É O MÉTODO DA LEITURA ORANTE DA PALAVRA DO SENHOR.
TEXTOS PARA SEREM REZADOS, na lectio divina diária para 1ª/ 2ª /
Afinal, o que aconteceu em Fátima?
Rezai até que a vossa oração se torne vida!
SOMOS AS TESTEMUNHAS DE MARIA?
Veja mais artigos relacionados
 

Saiba como contribuir com nosso site:

1) - O vídeo não abre? O arquivo não baixa? Existe algum erro neste artigo? Clique aqui!
2) - Receba os artigos do nosso site em seu e-mail. Cadastre-se Aqui é grátis!
3) - Ajude nossos irmãos a crescerem na fé, envie seu artigo, testemunho, foto ou curiosidade. Envie por Aqui!
4) - Ajude a manter este site no ar, para fazer doações Clique aqui!


Total Visitas Únicas: 8.511.576
Visitas Únicas Hoje: 317
Usuários Online: 187