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Artigo N.º 6980 - Ano da graça
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Visto: 2649
Postado em: 29/12/10 às 20:09:12 por: James
Categoria: Marisa Bueloni
Link: http://www.espacojames.com.br/?cat=123&id=6980
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(Marisa Bueloni)

* “Adeus ano velho/ Feliz ano novo/ Que tudo se realize/ No ano que vai nascer/ Muito dinheiro no bolso/ Saúde pra dar e vender”.

* Quero um ano novinho em folha, igualzinho à primeira bolsa de couro, novinha, do antigo primário, com um cheiro que impregnava a alma e os sentidos. Quero uma lancheira com alça de cruzar no peito e um lanche feito pelas mãos da minha mãe.

* Quero de volta a inocência da vida. Aquela que todos perdemos, um dia, quando se descobre a verdade. E aí, não teve mais volta. É preciso dignidade no contato com o assombro – e foi de rasgar a alma. Então é assim? É!...

* Quero ter um dia na semana para ficar letargicamente deitada ao sol. Como um lagarto, espreguiçar-me no espaço solar da minha casa terrena. Que a pátria celestial espere um pouco, pode ser? Não tá tão ruim por aqui. E tem um montão assim de coisa que eu ainda preciso fazer.

* Quero agradecer a Deus pelos amigos que Ele me deu. São muitos, cara. São centenas e centenas. Coisa mais linda. Nunca pensei ter tantos amigos assim. São bons como um pão feito em casa. Cheiram a pêssego maduro, a jasmim. Têm a doçura da cana de Piracicaba. A gente precisa e eles estão lá, prontos para uma palavra, um carinho, uma força.

* Quero ver você, pelo amor de Deus! Mostre-me seu rosto, mande uma foto, meu anjo. Precisamos nos conhecer. Esta tal de internet é uma coisa ótima, mas nossa amizade precisa de laços mais consistentes. Qual a cor dos seus olhos? E que perfume você usa? Seu prato preferido? Essas coisas. Dê notícias sempre, não vire sabão.

* Quero esperar o inesperado. O segundo sol, a terceira margem, a sétima estrela. Quero ver de perto a beleza. Vou surtar à sua chegada e será arrebatador. Espio devagarzinho, um lance esperto, fecho um olho, tapo a vista, faço de conta que ela não chegou. E pergunto: posso olhar?

* Ainda não.

* Quero cantar uma canção sob as estrelas e pegar num raio de luar. Depois chorar. Preciso chorar. Meu peito está trespassado de dor, de saudade, de esperança! Vinde, ó, arauto da paixão. Algo novo rumina dentro da minha alma e não sei o que é. Se soubesse vos diria. Mas não sei.
 
* Quero ganhar, assim, de graça, sem pedir nem insinuar, um buquê de rosas vermelhas, destes que se manda quando se quer muito bem uma pessoa. Rosas vermelhas. Como resistir, meu Deus? E que venha com um cartão indecifrável. Ouviu, dois mil e onze?

* Quero ler um livro onde haja uma história de amor - esse dono das nossas almas e que canta ao nosso redor. Quero ler até cansar e depois dormir o sono dos séculos. Acordar plena e com o coração batendo a alegria de viver. Se tiver um café fresco na cozinha e panetone do Natal, melhor ainda.

* Quero comer muita fruta em 2011, muito peixe grelhado, muita salada, muita fibra, muita castanha-do-Pará e tomar suco de uva com o farelo da casca de maracujá. Que baixa o açúcar no sangue e, se acelera mesmo o metabolismo, ajuda a emagrecer. Eita!

* Quero entrar em todas as minhas calças jeans. Que nem são muitas, mas elas têm de estar em forma no inverno deste ano novo. Eu tenho de estar em forma. O mundo tem de estar em forma. Nada de mudar o eixo, ainda, tá? Dá um tempo. Caba não, mundão!

* Quero a plenitude dos momentos inexatos. Aquele onde tudo falta e, no entanto, tudo preenche. Você não entendeu. E não é para entender mesmo. Não se preocupe.

* Quero dizer o que ainda não disse. O que fica lá, no substrato. Oras, nem o tal santo fogo tomei ainda. Ou é fogo santo? Quem se habilita a tomá-lo comigo? “In vino veritas”. Quero tomar o fogo ao lado de quem tenha juízo. 

* Quero começar uma agenda maravilhosa e inaugurar 2011 com a mais bela das frases: eu amo a vida!

* Quero que a vida seja lei; e não que a lei seja vida.

* Quero que você seja feliz, leitor do Espaço James. Felicidades, meus amigos queridos, minhas amigas lindas. Grata por existirem, por fazerem a festa do meu coração. Ah, os mineiros, que turma boa! E os paulistas, os cariocas, os gaúchos, os paranaenses, os do norte-nordeste! Tenho de citar Estado por Estado, tem gente bacana demais em cada canto deste país e deste mundo vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo...

* Quero que este texto sem pretensão nenhuma leve a cada coração o meu coração. Que a vida pegue leve conosco, né? Que as dores sejam suportáveis, nada que um Advil não resolva. Nenhuma cirurgia à vista, por favor. Nem para mim, nem para os que me leem neste momento.

* E do primeiro parágrafo, lá em cima, da letra da música que dá adeus ao ano velho, eu quero “saúde pra dar e vender”! A Tua graça me basta, Senhor!




Marisa Bueloni mora em Piracicaba, é formada em Pedagogia e Orientação Educacional – marisabueloni@ig.com.br



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