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Artigo N.º 7206 - À procura
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Postado em: 30/01/11 às 08:33:32 por: James
Categoria: Marisa Bueloni
Link: http://www.espacojames.com.br/?cat=123&id=7206
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(Marisa Bueloni)


Andei procurando casa na cidade. Depois de oito anos morando numa linda chácara, no campo, preciso fazer uma mudança de vida. Minha coluna vertebral tem me pedido, todos os dias, que eu encontre um lugar menor. Estou ouvindo minha coluna, com todo cuidado.

Então, de uns meses para cá, tenho ido ver casas na cidade, sempre acompanhada de corretores. Estou dos dois lados do negócio: ao mesmo tempo em que procuro imóvel para morar, recebo os interessados em comprar minha propriedade.

A procura de uma casa na cidade, de tamanho médio para pequeno, e que possua uma digna área de lazer, se tornou uma aventura indescritível. Talvez este imóvel sonhado não exista, ou só exista nos meus sonhos. Pode ser que eu tenha de comprar um terreno e construí-lo, tijolo a tijolo, saco de cimento a saco de cimento.

Nas idas e vindas da procura, tenho notado de tudo. De como as coisas vão mudando e assumindo novas faces. Antigamente, quando íamos ver uma casa para comprar, se os donos estavam morando nela, eram eles mesmos que nos recebiam e mostravam cômodo por cômodo. Se o proprietário era o construtor do imóvel, falava com evidente orgulho da obra acabada, explicando por que determinada porta estava ali. Mas também encontrávamos imóveis desocupados, então era o corretor que ia à frente, com as chaves na mão, abrindo portas e janelas, como fazem também hoje os incansáveis corretores de imóveis.

Atualmente, quando vamos ver uma casa, raramente encontramos os seus donos. As casas estão quase sempre vazias de pessoas. Talvez, pela premência da vida moderna, muitas residências funcionem apenas como meros dormitórios. Numa certa manhã, consegui ver cinco imóveis. Somente em um deles a dona da casa estava presente. Em geral, quem nos recebe para mostrar a casa é a empregada.

Ah, abençoada empregada doméstica! Ali está ela, em toda a sua dignidade, prestativa e sorridente, nos recebendo com gentileza, dizendo que podemos ficar à vontade e, antes que se pergunte, avisa que o cachorro está preso. Talvez uma recomendação dos patrões. “Vem gente ver a casa hoje, prenda o Xato”. E a empregada obedece, solícita, amorosa. É ela quem rege tudo ali. Eu fico encantada de ver o trabalho laborioso de uma empregada doméstica. Quantos lares dependem única e exclusivamente dela! Do banheiro lavado, da roupa passada, à comida na mesa.

Em muitas casas que entrei, pude notar uma limpeza e uma ordem geral. Tudo muito bem arrumado. Salas brilhando, quartos impecáveis, quintais varridos. Será que estes donos todos sabem reconhecer a pessoa valorosa que cuida de seus lares, enquanto eles estão trabalhando ou viajando? A empregada é alguém que também saiu cedo para ir trabalhar. Se colocar a sua casa à venda, provavelmente pedirá ao filho mais velho para receber os interessados, porque ela mesma não estará presente naquele momento.

Mas, quero contar de um menino. Um solitário habitante de uma destas residências que visitei. Neste dia, eu estava acompanhada da minha filha mais nova. Junto conosco, a corretora. Recebeu-nos a empregada. Certamente, os pais se encontravam fora, trabalhando, e o garoto estava ali sozinho na sala, com a tevê ligada. Sobre o sofá, dezenas de bonequinhos de plástico, os super-heróis da fantasia infantil. Assim que entramos, correu até nós, com vários bonecos nas mãos e, com os olhos brilhando, dizia os nomes de cada um. Havia em seu olhar uma interrogação profunda.

Quando viu que entrávamos em sua casa, olhando salas, quartos, indo até o quintal, ele veio atrás de nós e perguntou: “Quem são vocês?”. Senti uma pontada no coração. Sim, quem eram aquelas pessoas que estavam invadindo sua casa, não é, menino solitário? Eu não tive coragem de dizer a ele o porquê de estarmos ali. Tão pequenino, poderia não entender que sua casa estava à venda.

Devia, certamente, amar aquele lar que era só dele, o quartinho todo enfeitado de bichinhos e estrelas. Então, apenas disse os nossos nomes, fazendo uma breve apresentação. Ele nos olhava desconfiado, as mãozinhas cheias dos bonequinhos. Não consigo me esquecer deste menino e da empregada fazendo o sagrado almoço da família, de uma casa igual a milhões de lares brasileiros, onde os pais trabalham e os filhos ficam diante da televisão.

Menino, torça por mim. Quero vender minha linda chácara e comprar uma boa casa na cidade. Lá, eu também guardarei o coração cheio de sonhos como o seu, embora os super-heróis já não façam parte da minha vida. A esta altura, nós já sabemos que eles também podem cair de um cavalo, sofrer anos numa cadeira de rodas, usar aparelhos para respirar e morrer...

Sabe, eu até já encontrei algo que me encantou. Uma casinha gentil e graciosa, num lugarzinho especial. Não tenho bonequinhos de plástico pra gente brincar, mas prometo fazer um bolo de cenoura com cobertura de chocolate, se você vier me visitar, um dia.

Ah, caríssimos amigos, a nossa casa!... Que boa ela é! O nosso quarto, a nossa cama, o nosso banheiro, a nossa cozinha, a nossa salinha de tevê, os nossos porta-retratos! As nossas lembranças! Como é bom ter tudo isso, que maravilhoso é o nosso cantinho neste mundo. Que o Senhor nos abençoe. Que Maria Santíssima passe na frente. E que nossos pés e nossos corações sejam sempre guiados pela luz do Espírito. Na saúde do corpo e da alma. Amém.




Marisa Bueloni mora em Piracicaba, é formada em Pedagogia e Orientação Educacional - marisabueloni@ig.com.br



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