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Artigo N.º 4652 - Crise monetária à vista
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Postado em: 22/03/10 às 10:11:20 por: James
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28/9/2009 por Caio Augusto
Nota do IMB: o artigo a seguir faz parte do concurso de artigos promovidos pelo Instituto Mises Brasil (leia mais aqui). As opiniões contidas nele não necessariamente representam as visões do Instituto e são de inteira responsabilidade de seu autor.

Já é (quase) consenso entre a maioria dos economistas de todas as escolas que o estado, encarnado principalmente na figura do Sr. Alan Greenspan, ex-presidente do FED, e do Sr. George W. Bush, ex-presidente americano, foi o principal responsável pela formação da atual crise econômica mundial, tendo o conjunto de erros praticados por ambos como o principal fator de contribuição para o surgimento da mesma. A dupla Bush/Greenspan coordenou de forma desastrosa a economia americana durante o início da atual década, mantendo os juros baixos demais por um período de tempo muito longo e aumentando estrondosamente os déficits do governo durante esse período.

A dupla Bush/Greenspan já se foi. Hoje, em seu lugar está a dupla Obama/Bernanke. Obama foi eleito presidente dos EUA fazendo severas críticas à forma como o ex-presidente George W. Bush coordenou a economia americana durante os seus 8 anos de mandato. As críticas de Obama se acentuavam ainda mais quando o assunto era os gastos governamentais. Hoje, eleito, parece que o atual presidente  se esqueceu do que ele defendia e está a continuar as políticas econômicas do seu antecessor de uma forma ainda mais agressiva, aumentando os gastos do governo e intervindo cada vez mais no mercado, que, na teoria, é chamado de “livre”…
 
Recuperação Econômica ou mera ilusão?
Apesar de as medidas tomadas pelo governo, que consistiram unicamente em distribuir dinheiro para as instituições financeiras “grandes demais pra falir” e em criar planos de estímulo ao consumo das famílias americanas, tenham, aparentemente, surtido algum efeito positivo em relação ao declínio do sistema econômico mundial, pelo menos por enquanto, a situação tende a piorar bastante num futuro não muito distante. Uma recuperação econômica criada artificialmente através de uma impressão absurda de dinheiro não é algo que se possa ser sustentado por muito tempo. A única forma de se ter uma recuperação econômica verdadeira é através de uma reestruturação do atual sistema econômico mundial - porém a única coisa feita até agora foi imprimir dinheiro.

Mais de US$ 13 trilhões, quantia quase equivalente ao PIB americano, foram jogados na economia pelos governos de todo o mundo desde o estouro da crise no final do ano passado e o maior contribuidor dessa volumosa quantia foi o governo dos Estados Unidos. Todo esse dinheiro foi dado a empresas multinacionais e a grandes instituições financeiras que hoje deveriam estar quebradas. Ou seja, o governo está tirando o dinheiro do contribuinte para salvar bancos que não dão mais lucros e estão tirando dinheiro de empresas produtivas para salvar empresas improdutivas.

Outra atitude totalmente equivocada do governo americano é a de promover planos de recuperação econômica baseado no incentivo ao consumo exacerbado dos cidadãos americanos, visto que o consumo das famílias americanas tem caído a taxas nunca antes vistas. Ou seja, o governo americano está imprimindo dinheiro do nada e enviando aos cidadãos americanos, sem cobrar nada, para que eles voltem a consumir como anteriormente. Ora, se foi justamente esse consumismo exagerado que criou essa crise, por que mantê-lo?

A resposta é simples. O consumo dos cidadãos é responsável por mais de 70% do total do PIB americano, quando o normal deveria ser de pouco mais de 60%. Portanto, o que faz a economia, não só a norte-americana, mas a mundial, girar é o consumo da população dos EUA. Porém, o que se vê hoje é que está havendo um grande reajuste pra baixo no consumo da população. Hoje, já podemos ver uma despertar de consciência da população americana: Antes do estouro da crise, no ano passado, a taxa de poupança da população americana era de quase zero. Menos de um ano depois essa taxa já chega aos 7%. Porém, agora já é tarde demais, quanto mais eles poupam, pior fica a situação econômica dos Estados Unidos.

EUA à beira da insolvência
A dupla Obama/Bernanke não satisfeita com os déficits deixados pela administração anterior, está a aumentar estrondosamente os gastos do governo americano, promovendo, desde o início do mandato do atual presidente, diversos pacotes de estímulos econômicos cada vez maiores. O gasto da atual administração é tamanho que o déficit fiscal dos três primeiros meses da administração Obama é equivalente ao déficit fiscal de todo o ano de 2004, que até então era considerado o maior de toda história. Hoje, a previsão é de que o déficit fiscal do primeiro ano da administração Obama seja mais do que o triplo do déficit do ano anterior.
E dessa forma, com os déficits batendo recordes seguidos, os americanos caminham para a falência. Para se ter uma idéia, a dívida pública americana em 2000 era de 5,6 trilhões de dólares.  Em setembro de 2008 a dívida já era de 9.6 trilhões de dólares. Hoje, exatamente um ano depois, essa dívida está prestes a bater a casa dos 12 trilhões de dólares. Ou seja, em um ano os Estados Unidos gastaram mais do que todo o PIB brasileiro. Atualmente, segundo o governo, o PIB americano é de 14,2 trilhões de dólares. Fazendo as contas, a relação dívida/PIB está cada vez mais próxima dos 100%.

Títulos da dívida
Para financiar seus déficits, os países emitem um tipo de recibo chamado de título da dívida.  Esse título é uma espécie de garantia que atesta que você emprestou dinheiro a esse governo e que futuramente você receberá o pagamento com desconto (juros). Esse título tem um prazo determinado de vencimento. Quando esse prazo se encerra, o comprador tem o direito de resgatá-lo pelo seu valor de compra mais os juros. Os títulos da dívida americana, mais conhecidos como Treasuries ou T-bonds, são considerados os mais seguros do mundo, o que significa, na teoria, que o risco de calote é “mínimo”.

Quase todos os países enfrentam grandes dívidas públicas, porém a dúvida é saber se esse “país X” tem capacidade de financiar essa dívida através da emissão desses títulos. Já no caso dos Estados Unidos, a pergunta é outra: “Até quando os Estados Unidos conseguirão financiar sua dívida? ”

Até quando o mundo irá sustentar os Estados Unidos?
Cerca de um terço da dívida pública americana pertence a estrangeiros, sendo a China a principal detentora, estando o Brasil em 3º lugar. O problema é que essa dívida está se tornando insustentável para seus financiadores, principalmente para a China. Por diversas vezes durante esse ano, o governo chinês anunciou que está preocupado com o seu dinheiro investido nos Estados Unidos e que uma crise inflacionária de grandes proporções pode acontecer futuramente. Mesmo com a pressão americana sobre o governo, a cada mês a China vinha comprando menos títulos americanos, até que em junho, de maiores compradores da dívida americana, os chineses passaram a ser vendedores.

Como falado anteriormente, os Treasuries são considerados os títulos mais seguros do mundo, porém a atratividade desses títulos está muito baixa, já que a taxa de juros americana está encostada no zero e ao mesmo tempo a dívida americana sobe a uma velocidade muito rápida, o que faz com que exista uma demanda maior por financiadores. O problema é que essa demanda não vem sendo preenchida da forma esperada pelo governo americano, chegando ao ponto do próprio FED (o BC americano) ter de comprar US$ 300 bilhões desses títulos emitidos pelo governo ainda esse ano.

O mercado já está perdendo a confiança no dólar e os credores americanos não sabem mais até quando o governo americano poderá cumprir com seus compromissos em dia. O país caminha a passos largos pra insolvência a ponto de as agências de classificação de risco já cogitarem um downgrade na classificação americana. Há alguns meses, a China propôs ao G20, com apoio de alguns outros países, inclusive a Rússia, a criação de uma nova moeda internacional de reservas para substituir o dólar.

Sem financiamento, será só uma questão de tempo para que o governo americano aumente à sua taxa de juros para atrair investimentos. O próprio Obama, no início do ano, admitiu que isso ocorrerá. O problema é que os efeitos do aumento dos juros são devastadores para uma economia debilitada como a americana, na qual o consumo da população, que é a base da sua economia, despenca a níveis sem precedentes, na qual em média 300 mil empregos são perdidos por mês, na qual os bancos e as empresas estão sofrendo com a inadimplência.

Se realmente o mercado ainda confia no dólar, quando os juros americanos subirem teremos os investimentos do mundo todo voltados para os Estados Unidos, o que vai fazer com que os juros subam ainda mais no resto do mundo. Caso contrário, teremos um cenário de estagflação, que é caracterizado por um período de recessão, com grande aumento do desemprego, além da temida inflação. Em ambos os casos, o caminho será doloroso e diversas empresas e instituições financeiras inevitavelmente terão de quebrar.

Corrida contra o dólar e a chegada da inflação
Cada vez mais o mercado se dá conta de que o dólar americano não é mais um porto-seguro como anteriormente. Países com grandes quantias em dólares nas suas reservas querem apenas uma desculpa para poder livrar-se dos mesmos e, ao invés de comprarem títulos da dívida americana, esses países estão investindo em outros tipos de reservas, monetárias e não-monetárias. A China, por exemplo, vem comprando enormes quantias de commodities metálicas, muito acima da sua real necessidade. Outra alternativa é o investimento em ouro, que, no sentido contrário ao dólar, recentemente ultrapassou a marca dos US$ 1.000,00 a onça e continua subindo.

No momento atual, o mundo, preso ao dólar, se vê sem saída, porém todos esperam apenas por uma desculpa maior, um tiro de largada para que essa corrida comece, possivelmente uma moratória declarada pelo governo americano. Quando essa corrida se iniciar, quantias cada vez maiores de dólares serão jogadas no mercado, fazendo assim com que o preço do dólar despenque de vez. Quando isso acontecer e o mundo perceber que já não existem mais motivos para que se permaneça sentado em cima de uma montanha de títulos americanos, o Fed terá de subir os juros, mesmo com o consumo da população despencando e com o desemprego subindo. Ou eles sobem os juros ou então verão o dólar “voar para as profundezas” em menos de uma semana.

Essa crise monetária americana será a porta de entrada para uma estagflação catastrófica. Apenas imagine: se hoje nos Estados Unidos, com a taxa de juros encostada no zero, o consumo está caindo e o desemprego e a inadimplência subindo, imagine, então, quando o governo tiver de elevar a taxa de juros sem que uma recuperação definitiva tenha realmente começado? As consequências serão devastadoras.
 
Conclusão
De forma inesperada, essa crise econômica, em pouco tempo, passou de uma mera crise no setor imobiliário americano para se tornar, hoje, uma grande crise sistêmica que atinge todos os setores da economia mundial. Da mesma forma, a economia mundial será atingida “inesperadamente” por uma grande crise monetária onde certamente a população do mundo inteiro será severamente “castigada” por uma forte inflação que afetará todo o globo em um futuro próximo. Para onde todo esse processo vai nos levar, ninguém sabe. Porém uma coisa é certa: será um processo inevitável e doloroso para todo o mundo, porém extremamente necessário para que o mundo consiga novamente estabelecer uma estrutura econômica sólida e sustentável.
fonte: Caio Augusto
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OBS> O fulcro central da crise americana, está no dólar, e digo: quem mandou eles colocarem o olho do diabo em sua moeda? Acham nesmo que satanás dá tudo de graça, sem cobrar seu preço? Ledo engano..
Durante quase 80 anos os EUA emitiram moeda impunemente, alucinadamente, pagando suas contas em dólar emitido na máquina, sem se preocuparem com a inflação, porque sua moeda "forte", se tornou reserva de valor, como o ouro e até mais do que ele, e as pessoas, no mundo inteiro, passaram a guardar dólares nos cofres, pois ali lucravam até como se estivesse a juros. Para que melhor forma de viver tranquilo e a salvo com suas reservas financeiras?
Há 10 anos atrás entretanto, e já bem antes disso, eu alertei que, mesmo neste caso, existe um limite para a emissão da moeda americana, e este limite parece ter chegado, porque o mundo está tão entupido de dólares que ameaça vomitar. Isso somente não explodiu ainda porque a China tem interesse e trilhonários nos EUA, e cada cent que o dólar despenca, eles perdem bilhões. Mas vem aí a moeda única, e o Euro é candidato... Ou será a Fenix?
Mas não dá para segurar sempre, e a besta deseja exatamente isso: falir os EUA que junto dele afunda o mundo. E isso não demora, embora não acredite que seja nos próximos meses... Não é fáci derrubar um torre da altura da economia americana que representa quase metade das transações do planeta. Sua dívida é impagável, e por isso seu tombo será assombroso e nocauterá o mundo.


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